Livro de Quinta: A Cidade do Sol, Khaled Hosseini

Livro de Quinta: A Cidade do Sol, Khaled Hosseini

capa do livroSe você leu “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini e gostou, vá atrás imediatamente de “A Cidade do Sol” que será outro livro maravilhoso para você. Agora se você não conhece nenhum dos livros, vamos lá, tentarei te deixar com vontade de ler essa minha nova descoberta do Khaled…

“Aprenda isso de uma vez por todas, filha: assim como uma bússola precisa apontar para o norte, assim também o dedo acusador de um homem sempre encontra uma mulher à sua frente. Sempre. Nunca se esqueça disso, Mariam.” (pág. 12, cáp. 1)

Mariam e Laila são duas mulheres do Afeganistão que têm suas vidas limitadas, como as mulheres afegãs costumam ter. Mariam nasceu fora de um casamento. Cresceu afastada da civilização junto com sua mãe e vivia sempre a espera da visita de seu pai, que já tinha três esposas, filhos, e por isso não a assumira. Foi uma criança cheia de sonhos, mas viu todos se despedaçarem conforme crescia e descobria dolorosamente a verdadeira realidade que a rondava.

Laila aparece no livro ainda criança, também cheia de sonhos e filha de um casal mais “moderno”, como o próprio autor gosta de chamar, sendo que a mulher, mãe de Laila, não cobria o rosto ao sair nas ruas, não precisava de seu marido sempre por perto e tinha uma liberdade “maior”. Laila tem um melhor amigo chamado Tariq e vocês não imaginam o quão lindo foi acompanhar a história dos dois. O sentimento que Khaled descreveu, aquele amor que nasce quando você nem ao menos sabe o que é e conforme os anos passam vai se tornando um sentimento verdadeiro e sincero.

“De todas as dificuldades que uma pessoa tem de enfrentar, a mais sofrida é, sem dúvida, o simples ato de esperar.” (pág. 114, cáp. 18)

A vida de ambas personagens são ligadas de uma maneira trágica. Além de acompanhar, mesmo que por cima dos panos, alguns dos últimos acontecimentos que marcaram o Afeganistão, acompanhamos como foi a adaptação da vida de duas mulheres que poderiam ter vivido todas essas fases da história afegã. Digo que poderiam ter vivido, por quê a história é fictícia, mas quando você lê o livro, sabe que aquilo pode muito bem ter acontecido com outra mulher, com outra família, em outra casa, em alguma vida real. É a realidade do país, infelizmente.

“O coração de um homem é uma coisa muito, muito perversa, Mariam.” (pág. 31, cáp. 5)

Acredito que o meu verdadeiro gostar desse livro esteja relacionado a isso. No jeito como o autor nos conta uma história fictícia que pode ter sido a história real de alguém, ou ter tido algumas partes delas na vida real de alguém. Sempre fui relutante com a cultura afegã. Ler e ser jogada na realidade onde mulheres usam burca, e algumas delas encontram conforto nisso por terem vergonha do que são. Onde o nascimento de uma menina não é algo tão comemorado. Onde adolescentes de 15 anos já são jogadas em casamentos com homens mais velhos, completos desconhecidos.

Sei que não deveria de julgar tanto, mas como eu disse, sempre fui relutante com a cultura afegã, por mais que eu tente aceitar que cada lugar tem sua cultura, é complicado compreender que por lá a mulher seja tratada com tanto descaso. Isso é assustador.

E no livro, o autor também de “Caçador de Pipas”, não economiza nesse descaso. Acompanhamos o passar dos anos na vida das personagens até chegarmos ao ponto em que ambas são colocadas juntas e a história passa a ser uma só, mas narrada pelo lado de cada uma.

Você se envolve do começo ao fim. Existem livros que podem te decepcionar no meio da história, outros que te deixam com vontade de reescrever um novo final, mas “A Cidade do Sol” é maravilhoso. Posso arriscar em dizer que é perfeito, pois não consigo pensar em um defeito para contar para vocês. Sempre digo que gosto é relativo e cada um tem o seu, portanto temos o risco de pensarem que eu exagerei nessa resenha. Mas por favor, leiam. É uma das histórias mais lindas que li e gostaria de sair na rua compartilhando ela com cada um que passasse: “Olá, você já leu esse livro?”.

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