MINDHUNTER | David Fincher realmente sabe o que faz

MINDHUNTER | David Fincher realmente sabe o que faz

Se você não conhece o homem, talvez conheça suas obras. David Fincher é responsável por grandes adaptações para o cinema como Clube da Luta e Garota Exemplar, além de ter sido um dos primeiros produtores em House of Cards, primeira série original Netflix. E olha que não citei todos os trabalhos do diretor, porque tem muito mais e que você certamente também deve conhecer. O cara sabe o que faz e Mindhunter é mais uma prova disso.

A história é narrada no final dos anos 70 quando a psicologia criminal começou a ganhar estudos e termos no FBI. Foi quando surgiu o termo serial killer, usado para o assassino que comete crimes sequencialmente. É curioso acompanhar como tudo foi tomando forma e meio cruel ver como a maldade sempre esteve presente na nossa história.

“O que as pessoas não fazem umas às outras. Não há nada que não façam.”

vale a pena ver mindhunter
Holden Ford (Jonathan Groff) em uma de suas entrevistas (Foto: Divulgação/IMDb)

Jonathan Groff é o agente Holden Ford, ele enxerga a necessidade de ir além em casos que fogem do comum, onde tirar a vida de uma pessoa parece não ser o suficiente para o assassino. É uma trama pesada, ainda mais quando sabemos que alguns dos crimes ocorridos são reais e que pessoas realmente vivenciaram aquilo. Sem falar na tranquilidade calculada em cada diálogo que parece te arrastar para o fundo do poço junto com o personagem. Um nervosismo que senti crescer dentro de mim cada vez que os assassinos falavam de maneira tão fria e calma sobre acontecimentos tão macabros.

A série é inspirada no livro que reúne relatos do ex-agente John Douglas, ele fez o que ninguém pensou e queria fazer, foi ele que na época conversou com os criminosos. São homicídios que, por mais que já tenham passado anos, continuam difíceis de digerir. Se buscar uma resposta lógica para determinados acontecimentos hoje em dia já é um absurdo, imagine isso em 1979. David Fincher consegue passar esse julgamento, é capaz que você mesmo se veja julgando durante os episódios.

crítica série mindhunter netflix
O trio capaz de estudar e analisar as mentes assassinas e cruéis (Foto: Divulgação/IMDb)

Mas Ford não está sozinho nessa história. O agente trabalha junto com seu parceiro Bill Tench (Holt McCallany) e ambos acabam ganhando uma nova ajuda nas pesquisas, a professora Wendy Miller (Anna Torv). Cada personagem nessa série merece ser estudado meticulosamente, mas é em Ford que está todo o foco, afinal, ele é o grande cérebro por trás das entrevistas com os criminosos.

A atuação de Groff ao interpretar o agente Ford é impecável. Você entra na montanha-russa junto com o personagem e acaba sentindo um misto de sentimentos por ele, em certos momentos me senti enojada com tamanho fascínio que ele demonstrava pelas mentes assassinas que estudava, mas ao mesmo tempo foi muito difícil não acabar encantada com suas habilidades em conseguir o que queria.

“Como antecipamos os loucos, se não sabemos como os loucos pensam?

mindhunter crítica
Foto: Divulgação/IMDb

Na verdade, todo elenco te envolve, a química entre eles é maravilhosa. Desde os mocinhos aos grandes vilões. A semelhança entre alguns dos assassinos reais com os atores escolhidos é de assustar. Me vi entrando nos diálogos e querendo desvendar com os agentes os verdadeiros motivos que levaram as tamanhas crueldades.

A primeira temporada possui 10 episódios e apesar de ter achado a trama um pouco lenta no início, já tinha sido fisgada, só não queria admitir. Eu lembro de ter feito uma resenha sobre Making a Murderer, outra série original Netflix, e de ter mencionado o fato de que não são cenas sanguinárias que encontramos na série, apesar de todos os crimes horríveis que elas abordam, mas sim cenas de um horror mais psicológico, aquele que acontece quando temos casos reais de fundo na história.

É claro que algumas pessoas estão assistindo ao seriado e não encontrando toda a genialidade que tanto estão falando, impossível agradar a todos, sempre falo isso. Mas, por favor, vale demais dedicar pelo menos duas horinhas do seu dia, apenas dois episódios para conferir de perto se essa trama realmente não te deixará interessado, ao menos, instigado para descobrir o desenrolar fascinante que essa série tem.

Assista ao trailer:

Anúncios
Atypical | O que é ser normal?

Atypical | O que é ser normal?

Sem Spoiler | Atypical é aquela nova série da Netflix que pouca gente deu bola, mas que não deveria passar despercebido

Atypical é mais uma produção original Netflix. Sim, meus amigos, a Netflix anda investindo pesado em conteúdo original. Não, nem sempre a queridinha do serviço de streaming acerta. Mas, por favor, me escutem (ou melhor, me leem) quando digo que Atypical é um daqueles maravilhosos acertos de produção, elenco, enredo, trilha…

atypical serie netflix
Sam e seu sorriso galante (Foto: Divulgação/IMDb)

A primeira temporada contém oito episódios que duram em torno de 30 minutos cada. Criada por Robia Rashid, mesma criadora de How I Met Your Mother, a série é uma mistura de drama com comédia que te deixará surpreso e encantado por ter feito essa bela descoberta ao apertar o play.

Sam (Keir Gilchrist) tem 18 anos e possui autismo altamente-funcional, o que significa que ele tem maior capacidade, funcionalidade, como o próprio termo diz, do que outros autistas. O jovem ainda está no ensino médio e decide que quer encontrar uma namorada. Vocês não imaginam como as coisas mudam, não só para ele, mas para a família toda, quando decide ir atrás de uma garota para chamar de sua.

atypical netflix
A família de Sam (Foto: Divulgação/IMDb)

“Eu não sei mais quem eu sou. Não sei quem precisa de mim. Certamente não o Sam. Eu não sei o que quero. Eu não sei o que virá depois. Ou o que esperar. Porque tudo está mudando. E eu não sou tão boa sem minha rotina”, Elsa Gardner, mãe do Sam.

Mas não se enganem, Atypical é um pouco além do que a história de um garoto autista que decide namorar. A trama mostra o ponto familiar da situação. Sam vive com seus pais, Elsa (Jennifer Jason Leigh) e Doug (Michael Rapaport), e com sua irmã mais nova, Casey (Brigette Lundy-Paine). Sua mãe, Elsa, sente-se cada vez mais perdida ao encontrar um Sam cada vez mais independente. Doug, o pai, apesar de ter vivido afastado do filho, parece estar se aproximando do garoto que ele nunca soube conviver direito. Já a caçula, Casey, precisa decidir se seguirá com a própria vida ou se continuará por perto para proteger o irmão.

Imagino que esse deve ser o instinto natural da família, proteger e estar presente tanto a ponto de largar a própria vida. Não imagino como seja, não tenho autonomia para dizer se a ficção da série aproximou-se da realidade que acontece com inúmeras famílias, mas pelo que andei lendo a respeito, as pessoas estão felizes com a representatividade. É a primeira série focada em mostrar os diversos lados do autismo.

critica atypical netflix
(Foto: Divulgação/IMDb)

“Quem disse que a prática leva à perfeição era um idiota. Humanos não podem ser perfeitos, pois não somos máquinas. Infelizmente, o melhor que se pode dizer sobre a prática é que ela leva a melhorias”, Sam.

O preconceito, os olhares alheios e até mesmo as pessoas que acusam a mãe do Sam de se fazer de vítima, acreditem, isso acontece. A trama aborda a questão da normalidade. Ninguém é normal, se formos parar e pensar no assunto. Você é normal? Sua família é normal? As pessoas ao seu redor são normais? Afinal de contas, o que é ser normal? O que alcança a normalidade para mim, pode passar bem longe dela para você. Minha família pode parecer normal aos meus olhos, para olhos desconhecidos ela pode conter sérios problemas.

Encarar a rotina de Sam e seus pensamentos é um toque de sensibilidade que precisamos ter diante do assunto. Saber enxergar a anormalidade que é diferente da nossa compreendendo que o normal não existe (ou se existe, é complexo demais para tratarmos como uma simples questão de preto ou branco, sim ou não). Sam é apaixonado pela natureza, especialmente por pinguins e pela Antártica. É uma grata surpresa conhecer mais sobre essa sua paixão.

atypical netflix
Sam e ao lado seu amigo Zahid (Nik Dodani) que acaba sendo seu tutor nas aulas de conquista (Foto: Divulgação/IMDb)

Os conflitos que cada membro da família precisa lidar, só deixa claro o quanto somos todos meios problemáticos. Ninguém é perfeito. E Atypical entrega que cada um de nós carrega um defeito ou uma personalidade que nem sempre permanecerá intacta. Eu assisti a primeira temporada em dois dias. A Netflix já anunciou que a segunda temporada está confirmada. No meio de tanto conteúdo, é bom demais quando nos surpreendemos de maneira positiva com algo.

Assista ao trailer:

Dica Netflix: Até o último homem

Dica Netflix: Até o último homem

Acredito que devo começar falando que nos primeiros 45 minutos de filme eu estava nervosa, de verdade, questionando como que o homem vai ao exército se não toca em uma arma? Como ele pode querer ir a guerra se não tocará em uma arma? Só pode estar de sacanagem, não é possível um negócio desses… Mas acreditem… Era.

até o último homem
Andrew Garfield/Desmond Doss (Foto: Divulgação/IMDb)

Desmond Doss tinha sua crença, seus motivos para ficar longe de uma arma e como o mundo seria pacífico se todos nós tivéssemos essa mesma determinação em abolir aquilo que era capaz de acabar com a vida do próximo. Ele tinha seus princípios e no começo eu achava meio absurdo, afinal, algumas opções eram dadas ao homem e ele não estaria tirando a vida de ninguém. Só que no desenrolar do filme percebemos que não era esse o ponto que queriam nos mostrar.

Dirigido por Mel Gibson, e não sei vocês mas eu desconhecia desse talento para direção do ator, o filme acabou me trazendo outra grata surpresa: a atuação de Andrew Garfield. Não esperava que Garfield fosse desempenhar tão bem um personagem em todo esse drama que aborda a história de Desmond Doss. E se você sente receio em dedicar 2h19min do seu tempo para se arrepender depois, fica em paz, não existe arrependimento e não estou exagerando.

até o último homem
(Foto: Divulgação/IMDb)

Até o Último Homem é emocionante desde o início, quando conta um pouco da infância de Doss, até os minutos finais, quando mostra depoimentos dos personagens que fizeram parte da história real. Sim, meus amigos, é uma história real e é linda, é do tipo que você sente-se grato por ter descoberto um acontecimento daqueles. É a Segunda Guerra Mundial vista por outros olhos, de outro modo, contada pelo homem que decidiu ir a campo sem portar nenhuma arma para salvar o máximo de vida que lhe fosse possível.

Qual o objetivo em lutar tanto para ir a linha de frente de uma guerra  se não pretende se defender, certo? Certo. Mas e se o objetivo for servir para o bem sem abandonar seus princípios, crenças, quantas vidas mais deixariam de serem salvas por conta de uma arma a menos na infantaria? Fiquei envergonhada por ter tido tão pouca paciência com a crença de Doss, afinal, o que ele faz (na verdade, o que ele fez) foi muito mais do que qualquer homem armado faria.

até o último homem
(Foto: Divulgação/IMDb)

“O que o senhor quer de mim? Eu não consigo entender. Não consigo ouvi-lo.”

O Desmond Doss real morreu aos 87 anos de idade em 2006. Até O Último Homem fora lançado aqui no Brasil em janeiro desse ano e chegou a concorrer ao Oscar 2017 em diversas categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, infelizmente não venceu as principais, mas conseguiu levar duas estatuetas por Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição. Atualmente está disponível na nossa querida Netflix e se até hoje você deixou esse filme na lista ou não sabia de sua existência, por favor, dê uma chance a essa história que ser descoberta pelo máximo de pessoas possíveis.

 

Assista ao trailer:

Girlboss: sim, mais uma série original Netflix

Girlboss: sim, mais uma série original Netflix

“Na vida, a única pessoa que pode fazer você feliz é você mesma. A grande mentira é que precisamos de outras pessoas. Mas, não. A verdade é que todos nós morremos sós.” (S01E11)

Girlboss
Foto: Divulgação/Netflix

Mais uma série original Netflix chegou para viciar a gente: Girlboss. A trama é inspirada na autobiografia da Sophia Amoruso, dona de uma loja virtual, Nasty Gal. Entrou no catálogo em plena sexta-feira de feriado (21) com 13 episódios que quase não passam dos 30 minutos cada. Sério, é para você maratonar tudo em um dia só, num piscar de olhos.

A criadora da série, Kay Cannon, ficou conhecida em seu trabalho como roteirista nos filmes de A Escolha Perfeita. E dessa vez ela nos trouxe Sophia Marlow, já que logo no começo dos episódios somos avisados que estamos assistindo uma releitura livre (bem livre) de acontecimentos reais. Ou seja, se você leu o livro não pode esperar uma adaptação tão fiel, mas acredito que chega bem perto da essência, se é que me entendem.

“As coisas deveriam melhorar. Não existe garantia de que isso seja verdade. Para várias pessoas, a vida vai de mal a pior e acaba por aí. Nunca descobrem para que foram colocadas neste maldito planeta. Apenas vivem e depois morrem e vão tirar um grande cochilo na lama (…) Minha vida tem que ser melhor do que isso.” (S01E02)

girlboss-capa
Foto: Reprodução/Netflix

Sophia é uma personagem egoísta, mimada e que se recusa a entrar na vida adulta. Mas calma, a história toda é contada de maneira leve, com uma trilha sonora maravilhosa e um figurino tão impecável que você não tem tempo para ficar criticando a garota. Vai por mim. E em alguns momentos até que é possível se identificar com algumas fases daquela que podemos chamar de blogueira da década passada. Sério, ela começou a empreender repaginando e vendendo roupas de brechó numa loja virtual no Ebay. Só depois criou um site. É o tipo de processo que vale a pena acompanhar para se inspirar.

Outro ponto alto da série são as referências do começo dos anos 2000. Tem The O.C e quando digo isso, digo que tem até um remake com a cena da morte da personagem que vocês sabem quem (e se você não sabe, olha, vai ter spoiler, se prepara). A separação do Justin Timberlake e Britney Spears. E uma simulação de como eram as conversas realizadas em fóruns (que dá para gente imaginar como seriam as conversas em grupos de whatsapp que temos aos montes hoje em dia). Sem contar nas participações especiais de Andre Charles, sim senhores, RuPaul para alegrar mais ainda os dias e noites de vocês.

Girlboss
Foto: Divulgação/Netflix

“A vida adulta é aonde os sonhos vão para morrer. Cresça, arrume um emprego, vire um robô. É isso. Depois acabou. A sociedade só quer colocar todos em uma caixa. Bom, sabe de uma coisa, sociedade? Não existe caixa (…) Só preciso achar um jeito de crescer sem me tornar uma adulta chata.” (S01E01)

Narrada em um ritmo bem gostoso de assistir, a série me conquistou do começo ao fim. Nem mesmo a Sophia acreditava no seu sucesso. A garota tinha um problema de maturidade que me deixou bem orgulhosa ao ver que de pouquinho em pouquinho ela ia superando e reconhecendo os próprios defeitos, que é o que acontece com todos nós. Por mais que não queiramos crescer, é inevitável, então temos que tentar buscar um jeito de fazer isso, o nosso próprio jeito.

Tem comédia, tem reflexão e sim, tem romance. Nada no estilo surreal, mas também nada que seja parecido com as tramas que conhecemos todas trabalhadas na profundidade. É uma boa história para passar o tempo, perceber que você precisa de uma jaqueta nova e ficar pensando em colocar para vender as roupas que não usa mais, afinal, também precisamos de uma grana.

Assista ao trailer:

Agora esse vídeo a mais para você ter uma noção da pegada girlboss da série e como ser uma:

Novidade da Netflix: 13 Reasons Why

Novidade da Netflix: 13 Reasons Why

A nova série original Netflix que tem tomado conta da internet recentemente é 13 Reasons Why. Baseada no bestseller Os 13 Porquês do autor Jay Asher e produzida pela cantora Selena Gomez teve a sua primeira temporada lançada na última sexta-feira (31). São 13 episódios que contam a história de uma adolescente, Hannah Baker, que cometeu suicídio.

A verdade nem sempre é a versão mais emocionante das coisas, ou a melhor, ou a pior. É algo no meio. Mas ela merece ser ouvida e lembrada. A verdade sempre aparece, como alguém disse um dia. Ela permanece.” Fita 1, lado A

13 Reasons Why

Pois é, pesado. Está aí uma palavra que me deixa tensa pois sempre fico pensando no tamanho do peso que os dias têm para as pessoas que, infelizmente, optam por acabar com a própria a vida ao invés de continuar ou tentar seguir em frente. É um tema pesado, intenso, uma trama que também aborda assédio, estupro, depressão, bullying e tudo isso ainda no ensino médio. É dedicada para o público-jovem que precisa estar preparado para os episódios que irão assistir. Coisa que eu, com 24 anos, não estava nem um pouco.

Jurava que era mais uma série teen, quando uma amiga me indicou até fiz piada, estava crente que ia largar no segundo episódio, mas quando terminei o primeiro já estava me perguntando como que a adolescência pode ser tão cruel, né? Afinal, logo no início o tema abordado é um pouco sobre essa invasão de privacidade com as redes sociais e toda essa conectividade que ao mesmo tempo que ajuda, estraga.

13 Reasons Why
Você consegue imaginar o estrago que uma foto, uma simples foto, pode causar? (Foto: Divulgação/Netflix)

Às vezes, coisas acontecem com você. Elas simplesmente acontecem. Você não pode evitar. Mas é o que você faz depois que conta. Não o que acontece, mas o que você decide fazer a respeito.” Fita 5, Lado B

Clay Jensen é o rapaz tímido do ensino médio que recebe as fitas gravadas pela colega e descobre que não foi o único. Nas fitas a adolescente explica os 13 porquês que a levaram ao suicídio, cada porquê é uma pessoa e a história dessa pessoa com a Hannah é apresentada a cada episódio. São situações trágicas, desde fofocas e listas idiotas que fazemos na época da escola a consumo excessivo de álcool e abuso sexual sem penalidade nenhuma. É uma trama pesada que alerta quem está assistindo sobre o quão despreparados estamos diante das situações, quão cegos estamos diante de certos comportamentos.

Clay Jensen, 13 Reasons Why
Cientistas confirmam que é impossível assistir essa série e não pensar na lerdeza do garoto Clay Jensen para ouvir as benditas fitas (Foto: Divulgação/Netflix)

São situações que poderiam e acontecem com qualquer adolescente que vai parar nos holofotes do ensino médio. Situações que já me vi fazendo e questionando o motivo de fazer aquilo. No fundo somos capazes de algumas coisas ridículas para sermos “aceitos” ou fazermos partes de algum grupo, como se isso fosse muito importante. Na adolescência tudo é muito intenso e o adolescente nem sempre tem a atenção necessária.

É preciso que a décima primeira pessoa escute as fitas para que algo comece a ser feito. 10 pessoas haviam escutado as gravações antes de Clay, 10 pessoas permaneceram caladas por medo de revelar os próprios segredos. É o ápice do individualismo que nos encontramos hoje em dia e a consequência que ainda temos que encarar diante dele. Durante a série você mesmo se pergunta se algo poderia ser feito, o jogo é enxergar todas as possibilidades que poderiam ter acontecido para evitar a morte e frustar-se ao perceber que já era tarde demais para alterar a história de Hannah Baker.

13 Reasons Why
Clay ao escutar as fitas fica imaginando Hannah, é como nós conseguimos visualizar todo o sofrimento da adolescente (Foto: Reprodução/MixdeSéries)

Uma mensagem com um banho de realidade. “Diga o que sente antes que seja tarde demais. Pergunte, de verdade, como está a pessoa ao seu lado. Importe-se com os sentimentos alheios. Tenha bom senso sobre a própria vida e a vida dos outros”, parecem frases de tumblr, mas é o que a trama nos inspira. Vivemos cada vez mais julgando, falando, apontando dedos e cada vez menos cuidando, observando e dando atenção para aqueles que nos importam. 13 Reasons Why abre tantos diálogos e sobre assuntos tão importantes que deveria ser indicado para todos os públicos, não só os adolescentes, porque os adultos também estão envolvidos, todos estão envolvidos.

13 Reasons Why
Clay e Tony (Foto: Reprodução/BoletimNerd)

A tristeza e o desespero estampados na atuação de Kate Walsh (Grey’s Anatomy), que interpreta a mãe da Hannah, é de perturbar nossos corações. A revolta que Dylan Minnette (O Homem nas Trevas)  consegue trazer para o seu personagem, Clay, é de impactar todos nós (exceto pelo fato que esse garoto demora demais para ouvir as fitas e a gente vai ficando agoniado). A culpa e o peso que Hannah Baker carrega na interpretação de Katherine Langford nos deixa angustiados. É um conjunto com ótimos personagens, diálogos e trilha sonora. Mais um trabalho impecável e acerto da Netflix.

Punho de Ferro: o último defensor chega a Netflix

Punho de Ferro: o último defensor chega a Netflix

Finalmente temos a série do último defensor! Punho de Ferro estreou no catálogo da Netflix na sexta-feira (17) com 13 episódios e me deixando confusa sobre a crítica ter metralhado tanto a trama. Pior série? Oi? O pessoal anda muito exaltado, só pode. Você já assistiu? Não sabe se vale a pena? Eu também fiquei com sérias dúvidas quando comecei a ler o que estavam falando a respeito. Mas vamos lá que eu não estou sendo paga pela Marvel, nem pela Netflix e vou te dar uma luz (ou pelo menos tentar).

Punho de Ferro
Foto: Reprodução/Netflix

Danny Rand é um bilionário que perdeu os pais em um trágico acidente de avião. Após sobreviver a queda o garoto foi resgatado e treinado por monges para ser o Punho de Ferro. Até aí tudo bem, né? Ele recebeu todo o treinamento e de acordo com a história era ele o destinado a proteger os portões de K’un-Lun, o monastério onde viveu por 13 anos. Só que a morte de seus pais não foi deixada totalmente para trás e Danny não consegue seguir seu “propósito”, precisa de respostas e vai atrás delas.

De volta a Nova Iorque e a empresa Rand Enterprises, o jovem Punho de Ferro não é bem recebido e começa a perceber que não será tão fácil quanto pensou que seria. Joy Meachum e Ward Meachum são os amigos de infância que hoje comandam a empresa que leva seu nome. Harold é o pai dos dois que deveria estar morto, mas continua vivo e comandando (sem que todos saibam da verdade) seus 49% das ações. Dá para imaginar o alvoroço que isso causa, né? O verdadeiro herdeiro da Rand está de volta e só Deus sabe o quanto isso pode prejudicar os negócios.

rand-760x428
Foto: Reprodução/Jovem Nerd

E prejudica. Daniel Rand não é um bom empresário. Criado por monges, não tem a maldade que deveria ter e talvez esse seja seu maior ponto fraco: sua inocência. É de dar raiva como ele confia demais nas pessoas e como nós, espectadores, já ficamos do outro lado imaginando a merda que isso vai dar. Acho que esse foi o ponto fraco da série também, essa briga entre ser ou não ser um assassino, agir com boas ações, não se comparar ao inimigo, acabou tirando um pouco a empolgação. Mas não o suficiente para me fazer largar a temporada, comecei a assistir sábado e no domingo já estava pensando no que que eu fiz com a minha vida pois assisti tudo de uma vez e agora vou ter que esperar um ano ou mais por novos episódios (hashtag quem nunca).

Madame Gao também está em Punho de Ferro e, acreditem, ela é a face do satanás, essa velha vai dar o que falar nas séries da Marvel e espero que abordem mais ainda a vilã. O Tentáculo, depois de aparecer no Demolidor, acaba ganhando uma nova direção que não sei dizer exatamente se será boa ou ruim. Colleen Wing é uma personagem que deu o tom exato de romance que eles quiseram implantar na trama e é lindo acompanhar o envolvimento dela com Danny Rand, mas espero que essa coisa toda de “filha do dragão” que foi pouco exposta nessa primeira temporada seja melhor abordada na próxima.

iron-fist-colleen-wing-clip
Não se enganem com essa carinha (Foto: Divulgação/Netflix)

Eu juro que não sei dizer onde, exatamente, está o erro da Netflix. Para mim a série manteve o nível, foi tão boa quanto as outras já lançadas.Tem seus pontos fracos como todas as outras também. Ficou melhor que a do Luke Cage, só não superou Demolidor e Jessica Jones, então, sinceramente, não entendi a falação toda em cima da ótima produção. Até a trilha sonora me conquistou! A confusão do próprio personagem em se descobrir e conhecer seus ideais foi normalmente exposta, assim como foi com o Matt Murdock e todos os outros, então, temos aqui a conclusão de que a crítica não valeu nada além de trazer uma publicidade duvidosa para a série. Lição do dia: não confie, assista e tire suas próprias conclusões.

Sem falar que o bom de assistir todas as séries de heróis já proposta pela Netflix é estar por dentro das ligações e pequenas inserções que eles acrescentam na trama, tipo quando Danny usa uma camisa furada do Luke Cage ou quando a Joy diz que contratou uma investigadora particular (sim você sabe de quem eu estou falando, inclusive, saudades dela, né?).

poltrona-ironfist
Isso é Kung-Fu e o Punho de Ferro é o guerreiro que faltava para o time dos Defensores       Foto: Reprodução/Poltrona Nerd

O ritmo dos episódios não é cansativo e cada ponto é colocado de maneira exata na série. A forma como os vilões mudam no decorrer da história e como certos personagens são inseridos nela é de maneira sutil, não daquele jeito que te deixa pensando se os produtores estavam desesperados por audiência enfiando novos caras para mudar o jogo. Claire, que é a ligação de todas as séries da Marvel na Netflix, mais uma vez mostra seu potencial Nick Fury e nos deixa mais curiosos sobre como todos os heróis irão se reunir (pega essa referência!).

Os Defensores
Luke Cage, Demolidor, Jessica Jones e Punho de Ferro (Foto: Divulgação/Netflix)

A parceria entre Marvel e Netflix não é de hoje. Demolidor foi o ponta pé inicial e já possui três temporadas. Depois tivemos Jessica Jones, Luke Cage e agora Punho de Ferro. O time, por enquanto, está completo. Não estão visando apenas as histórias dos heróis, nem em crossover, participações especiais de personagens e referências. Toda essa produção resultará, além das séries dos próprios personagens, na trama de “Os Defensores” onde todos estarão juntos. Isso mesmo. E as filmagens já começaram. EU TÔ ANSIOSA DEMAIS!

Todos os episódios de Punho de Ferro já estão disponíveis e boa sorte, pois quando você começar não conseguirá parar. História verídica, aconteceu comigo. Mas também é verídico que, como sempre acontece nessa vida, a trama pode não te envolver e você pode acabar concordando com os críticos. Acontece. Só não deixe de assistir, você pode se arrepender. Dá uma olhada no trailer:

COMO ALGUÉM DEIXA DE ASSISTIR PUNHO DE FERRO DEPOIS DESSE TRAILER?!

 

Dica Netflix: Os Capacetes Brancos

Dica Netflix: Os Capacetes Brancos

os-capacetes-brancos
Foto: Divulgação/Netflix

Um documentário original Netflix dirigido por Orlando von Einsiedel com 40min de duração que conta a história da Capacete Brancos, organização que tem cerca de 2.900 voluntários que trabalham em 120 centros em quase todo o país para salvar os civis que sofrem com a guerra na Síria.

Não sou muito fã de documentários, mas fico pensando nas preciosidades que estou perdendo a rejeitar o gênero. Os Capacetes Brancos só entrou na minha lista depois de ganhar o Oscar como Melhor Documentário Curta-Metragem e, eu sei, é um pouco triste quando só reconhecemos algo depois que a academia o reconheceu, mas fico feliz pela Netflix e pelo filme ter ganhado a categoria, é importante que mais pessoas vejam o trabalho humanitário que está sendo realizado na Síria.

“Temos que admitir que a situação na Síria vai de mal a pior. Não há solução em vista.”

maxresdefault
Foto: Divulgação/Netflix

Todos sabem que está acontecendo uma guerra na Síria, mas até agora ninguém sabe quando essa guerra será resolvida. Muitas pessoas ainda estão confusas e nem sabem direito o motivo de tantos bombardeios. Na internet e nos noticiários temos as notícias, as imagens e vídeos que chocam todos que assistem. É sempre impactante quando vemos uma criança chorar no meio de escombros com som de sirenes ao fundo.

Já são cinco anos de guerra e os dados que o próprio documentário apresenta é que já passaram de 400 mil o número de mortes. Desde 2013 a Capacete Brancos vem fazendo seu trabalho, conseguindo salvar cerca de 58 mil vidas. O lema que a defesa civil da Síria segue é de que “salvar uma vida é salvar toda humanidade”.

“As pessoas morrerão se não tiverem esperança.”

capacetesbrancos02
Foto: Divulgação/Netflix

O longa traz a voz de Khalid Farah (ex pedreiro), Abu Omar (ex ferreiro) e Mohammed Farah (ex alfaiate), mas mostra o quão corajoso todos os Capacetes Brancos precisam ser para realizarem o trabalho que fazem. Alguns deixam famílias em casa para fazerem a diferença nas ruas destruídas das cidades, buscando vidas que possam ser salvas, como o bebê com apenas um mês de vida que conseguiu sobreviver mesmo depois de 16h embaixo dos escombros. O bebê milagroso. A esperança que mantém o trabalho dos voluntários firme, o milagre que mantém a fé de que as coisas irão melhorar.

Apesar de ser um documentário curto, a história te compacta com a profundidade que as imagens têm. Como é um retrato da verdade, uma parte da realidade Síria e por termos essa noção, o saber de que aquilo não foi encenado, o choque é grande. A visão que temos da drástica mudança que ocorre na vida de todas as pessoas inocentes envolvidas nessa guerra é de um pesar absoluto. Mas é de uma esperança linda saber que os capacetes brancos existem e buscam pela salvação daqueles que precisam.

Assista ao trailer legendado:

O documentário está disponível no catálogo da Netflix desde 16 de setembro de 2016.

Santa Clarita Diet: a nova comédia zumbi da Netflix

Santa Clarita Diet: a nova comédia zumbi da Netflix

16406492_262537044182982_6962750929535971304_n
Foto: Divulgação/Netflix

Santa Clarita Diet é a nova série de zumbi da Netflix. Eu falo de zumbi, mas é um estilo diferente do que estamos acostumados a assistir em Resident Evil ou em The Walking Dead. Estreou no catálogo dia 3 de fevereiro com 10 episódios e já teve a segunda temporada confirmada. Tem a maravilhosa Drew Barrymore e é a nova aposta para você passar seu tempo.

Com episódios beirando os 30 minutos, a série é perfeita para assistir em intervalos curtos, como no horário de almoço, por exemplo… Pensando bem, talvez isso não seja uma boa ideia…

santa_clarita_diet_01
Foto: Divulgação/Thetfs

Sheila (Drew Barrymore) é uma corretora de imóveis. Casada com Joel (Timothy Olyphant), mãe da adolescente Abby (Liv Hewnson) e moradora de Santa Clarita, localizada no subúrbio de Los Angeles, teve que lidar com uma radical mudança em sua vida. Se é que podemos considerar que ela ainda tem vida.

Não se sabe ao certo o que causou a transformação, mas a mulher virou uma zumbi. Um nome pejorativo demais, como eles mesmo dizem, mas que usamos para classificar esses seres mortos-vivos que precisam se alimentar de carne humana. Trágico. E muito cômico, acreditem.

santaclaritadiet-barrymore-olyphant-blood-desert
Foto: Divulgação/GeekBoo

É maravilhosa a leveza que eles trouxeram na série ao abordarem esse universo zumbi que conhecemos. É tudo de um jeito bem trash que chega a ser ridículo, tão ridículo que você não se aguenta e acaba caindo na risada com todas as situações que eles passam para conseguir superar essa fase louca em suas vidas.

Além da família de Sheila, podemos adicionar uma vizinhança que ajuda muito na hora de deixar a situação mais complicada para o lado deles. Imagine morar entre dois policiais quando alguém de casa precisa de carne humana nas refeições? Pois é.

santa_clarita_diet_timothy_olyphant_drew_barrymore_free_big
Foto: Divulgação/UOL

Já falei para vocês que a Drew Barrymore é maravilhosa? Ela é maravilhosa e é perfeita a sintonia da sua personagem com Timothy Olyphant, o seu marido que, coitado, acaba tendo que fazer coisas que jamais imaginou fazer. Sério. E tem a trilha sonora, gente, que trilha sonora! O episódio termina e você não pula para o próximo porque quer curtir a música de encerramento que tá tocando.

Agora dá só uma olhada no trailer oficial da série:

E vejam também esse vídeo com o Fábio Júnior cantando Alma Gêmea e dando um significado, digamos que mais intenso, sangrento, a letra da música:

Repitam comigo: A NETFLIX É SENSACIONAL! E saibam que a primeira temporada já está disponível e sim, meus amigos, a segunda também já foi confirmada, só não sabemos para quando, esse é o ruim dos episódios todos lançados de uma vez, ficamos bem mais ansiosos para o retorno deles, né?

Desventuras em Série vale ou não a pena?

Desventuras em Série vale ou não a pena?

Todo mundo agora só fala na nova produção da minha, da sua, da nossa querida Netlifx (te amo, mozão!), mas será que a série está valendo mesmo a pena? A ponto de tomar seu tempo para você passar o dia maratonando a primeira temporada com apenas oito episódios? Vem que eu vou te trazer uma luz no fim do túnel e ser o mais sincera possível.

desventuras-em-serie-netflix-2017-ateremos
Foto: Divulgação/Ateremos

Desventuras em Série estreou no catálogo da Netflix dia 13 de janeiro. Era uma sexta-feira e sim, foi um marketing maravilhoso porque se vocês acham que a história tem algum momento de felicidade, saibam que, com pesar, os aviso que estão completamente enganados. É só desgraça na vida dos pobres Baudelaires.

Inspirada nos livros de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), a trama é sobre a vida dos órfãos Baudelaires: Violet, a inventora; Klaus, o leitor e Sunny, a bebê mais fofa que vive grunhindo coisas que a gente entende por causa da legenda. Crianças adoráveis que acabam tendo suas vidas atormentadas pelo terrível Conde Olaf.

empq5uvez5e49hvr7f32lnnim
Foto: Divulgação/Netflix

É preciso assistir a série com olhos de fã. Não vou mentir. Muita gente está querendo comparar com Stranger Things e, pelo amor de Deus, de onde tiraram essa comparação? São histórias distintas, tirando talvez a fotografia meio gótica e o elenco mirim que é daqueles que nos conquistam na primeira cena, são propostas diferentes, por isso digo que é preciso assistir com olhos de fã.

Foram 13 livros e a adaptação de um filme (lançado em 2004) com o Jim Carrey no papel de Conde Olaf. Foram desgraças que fizeram parte de uma geração de adolescentes e crianças que, talvez, não ganhe sua atenção. Talvez você não tenha fascínio nenhum ao ver que cada história se encaixa perfeitamente. Talvez você não seja tão sádico para acompanhar tais eventos.

bloazym6gkr3p1f8j3po2q88h
Foo: Divulgação/Portal IG

Neil Patrick Harris traz um Conde Olaf mais sombrio, diferente de Jim Carrey que em 2004 nos trouxe um vilão mais cômico. As crianças são maravilhosas. A direção de arte está impecável, é lindo assistir cada episódio e encontrar o cenário de cada livro tão bem adaptado. Por falar nisso são dois episódios para cada livro da saga, nessa primeira temporada tivemos quatro livros: Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral. O que significa que, provavelmente, teremos poucas temporadas. Isso se os produtores decidirem continuar seguindo os livros. Afinal, os pais dos Baudelaires ainda estão vivos? Isso está deixando quem não leu todos os livros agoniado pensando no que será que tá acontecendo (sim, sou uma dessas pessoas).

É uma série com gosto de infância que você pode acabar achando monótona e largando no segundo episódio. Mas tá tudo bem se isso acontecer. Como disse, estou sendo o mais sincera possível, e apesar de ter amado a primeira temporada e assistido tudo em três dias (por que eu trabalho, né, mores? A maratona aqui é mais lenta), sei que muitas pessoas irão reclamar. Por isso irei repetir: é preciso assistir com olhos de fã, porquê para os fãs essa temporada horrível e repleta de desgraças valeu a pena. Bom, pelo menos para mim.

Dá uma olhada nesse trailer e sintam o clima de desgraça que paira a vida dos Baudelaires:

 

Dica Netflix: Questão de Tempo

Dica Netflix: Questão de Tempo

Questão de Tempo (About Time), é um filme escrito e dirigido por Richard Curtis. Eu não sei se vocês conhecem o trabalho do Curtis, mas é de extrema importância que saibam que ele foi roteirista em Simplesmente Amor, nos dois filmes da Bridget Jones e também em Um Lugar Chamado Notting Hill. Se você gosta de assistir pela segunda, terceira ou quarta vez, alguns desses filmes: Questão de Tempo irá te encantar tanto quanto me encantou.

A história é sobre a vida de Tim (Domhnall Gleeson) um ruivo que tem um pôster sobre O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (eu sei, informação, talvez, desnecessária, mas eu gritei quando vi Amélie de fundo na parede do quarto dele e eu amo essa Amélie de um jeito! Desculpe, vamos voltar ao filme, para a vida de Tim). Aos 21 anos Tim acaba descobrindo algo que mudará completamente sua vida: o poder de viajar no tempo e diversas, várias, centenas, segundas chances.

o-amor-pode-ser-uma-questao-de-tempo-html
Foto: Divulgação/Obvius

Uma vida fácil, programada, onde você pode reviver seus melhores momentos, onde você sempre poderá tentar uma segunda vez. A velha história sobre “a primeira impressão é a que conta”, na verdade, não conta tanto já que você pode voltar atrás e falar algo diferente, fazer algo diferente, agir de modo diferente.

Podemos pensar que assim, desse jeito, qualquer um pode se sentir mais animado com esse difícil dilema que é viver a vida, mas a história de Tim nos mostra, com um toque bem leve, que a vida real aqui fora nunca será tão programada e segura quanto a sua lá dentro do filme. É como se ele fosse um velho amigo nosso nos dizendo tudo que já ouvimos por aí, nos contando sobre coisas que lá no fundo já sabemos, mas que na realidade dificilmente levamos adiante.

“Tento viver cada dia como se eu tivesse voltado para este dia para curti-lo como se fosse o dia final da minha extraordinária e simples vida. Todos nós viajamos juntos pelo tempo todos os dias das nossas vidas. Só podemos fazer o nosso melhor para aproveitar este passeio surpreendente.”

abouttimestill2
Foto: Divulgação/MoviaTorman

É incrível como deixamos essa informação passar tão facilmente por nossos pensamentos. Às vezes, ela é automática, nem sentimos que estamos deixando algo para trás. É sempre tão mais fácil nos entregarmos as dificuldades, a rotina, ao estresse, ao caos e esquecermos qualquer tipo de pensamento que possa nos deixar mais tranquilos com relação a nossa vida.

São tantos os problemas que enfrentamos, as contas que pagamos, as notícias ruins que encaramos… Assistindo Questão de Tempo eu me policiei, mais um vez, sobre como quero que minha vida seja. Nós levamos todas as coisas com base no tempo e não percebemos o quanto ele pode estar ou não passando diante de nossos olhos.

“Se preocupar com o futuro é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação mascando chiclete. Os seus verdadeiros problemas sempre serão coisas que nunca passaram pela sua mente preocupada.”

É claro que não é como se a história do filme te inspirasse a jogar tudo para o alto e não pensar mais no nosso futuro, ele é algo tão presente em nossos pensamentos que é inevitável não fantasiá-lo.  Mas é uma linda história sobre como deixamos as coisas passarem despercebidas, sobre como nos afundamos no estresse do dia a dia e nos esquecemos de buscar pelo menos um, somente um, motivo pelo qual sorrir para a vida.

about-time
Foto: Divulgação/Guia da Semana

Sim, é mais um filme sobre a vida. Mais um romance no mundo dos romances. Mais um final previsível. E mais um filme maravilhoso sobre como sempre esquecemos de viver nossos dias. Está disponível na Netflix. E tem a Rachel McAdams. E uma trilha sonora bem gostosa também. E cenas que te deixarão com alguns ciscos nos olhos.

“Ninguém pode prepará-lo para quando tiver um filho. Para quando o vir nos braços e sentir que agora é com você. Ninguém pode prepará-lo para o amor e para o medo. Para como as pessoas que você ama o amam. Nem para a indiferença de amigos que não têm filhos. E é um choque como se muda rápido para uma casa que não pode pagar. De repente, a viagem no tempo parece desnecessária porque todos os detalhes da vida são prazerosos.” 

É isso, gente, é isso.