Estreias do cinema em outubro 2017

Estreias do cinema em outubro 2017

Esse post foi originalmente postado no Geração Touch*

Calma, você não está ficando maluco que hoje realmente temos um post extra direto do Club Pop, onde escrevo semanalmente toda sexta-feira no Geração Touch! Em outubro teremos uma sexta-feira 13, dia das crianças, Halloween e Marvel. É um mês para ninguém colocar defeito e cada tribo se encaixar em alguma data! Nos cinemas não será diferente, teremos filmes para todos os gostos!

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Um texto sobre algo que nem eu entendo

Um texto sobre algo que nem eu entendo

Eu poderia ter saído. Colocado minha melhor roupa, usado meu melhor batom e saído para qualquer lugar que estavam me chamando. Sair, conversar, rir, comer, ocupar a cabeça com os problemas e histórias das outras pessoas. Mas é como se algo me prendesse onde estou.

texto de quinta
Foto: Reprodução/WeHeartIt

É estranho se sentir presa a algo que nem mesmo consigo identificar. É como se uma força invisível me prendesse e me impedisse de seguir com a minha vida, como se algo quisesse que eu ficasse exatamente onde estou.

Os dias estão passando e é como se um relógio estivesse contando meu tempo, minha rotina, as pessoas a minha volta, as coisas que tenho. Um desespero enorme começa a tomar conta de mim. Um desespero de todas essas coisas escaparem pelos meus dedos. É loucura demais? Sentir esse medo e ficar completamente paralisada por ele?

Aceno para meus amigos que acabaram de sair e fico pensando que gostaria de ter ido, mas não fui porque parece que cada vez que vou, cada vez que vivo algo, o tic tac do relógio que existe só na minha mente aumenta.

É estranho pensar e tentar falar sobre o que sinto nessas horas. Nunca converso com ninguém porque sempre acho que não entenderiam e no fundo acabo pensando que tudo não passa de um drama da minha parte.

Eu tenho tudo. Tenho amigos, tenho família, tenho uma casa para voltar no fim do dia, tenho algo para comer sempre que sinto fome, tenho saúde, tenho carinho daqueles que amo, então o que causa esse desespero? O que me impede de aproveitar meus momentos sem esse peso na consciência? Sem essa sensação de que estou caminhando para o fim de algo?

Sim, eu sei. A vida, ela tem um fim. Tudo nela tem um fim. O livro que comprei ontem, o jogo de panela novo da minha mãe, até mesmo o perfil que criei para meu pai no facebook pode ter um fim. Mas como aceitar isso? Como lidar e encarar que tudo que está aqui a minha volta pode não estar mais com um piscar de olhos ou com o passar dos anos?

Texto de Quinta | Por conta própria

Texto de Quinta | Por conta própria

As pessoas perguntam como você está, o que aconteceu, se está tudo bem e você até pensa em formular uma resposta verdadeira, ao invés do automático que sempre respondemos, mas você já sabe a verdade. Elas não se importam.

Elas querem te ver bem. Elas querem que você fique bem. Mas elas não sabem o que dizer ou fazer para que isso aconteça. Você está por conta própria, sinto dizer. É só você e esse texto que, quem sabe, seja uma ajuda em sua vida.

textos cronicas
Foto: Reprodução/WeHeartIt

Não são as pessoas que terão as respostas para todos os seus problemas, medos, inseguranças, mágoas, dúvidas e essa porrada de coisa que fica martelando aí, algumas vezes tão leve que nem mesmo você tem consciência delas, outras vezes tão forte que parece que tudo ao seu redor vai explodir.

A única salvação que existe está dentro de você. Pois é, eu sei, agora é que o problema continuará para sempre. Mas levante essa cabeça, lave esse rosto e encare o espelho por alguns segundos. Deixe tudo vir, todas as perguntas, todos os pensamentos, tudo que você guarda aí dentro. Encare o espelho e deixe que tudo tome conta da sua consciência.

Percebe? Percebe o que quero dizer? Nem mesmo você consegue identificar esse emaranhado de sentimento que carrega no peito, imagine outra pessoa? Elas não se importam, não porquê não querem te ver bem, mas porque só Deus sabe as batalhas e dúvidas que elas carregam consigo mesmas. Cada um tem sua própria luta para vencer, cada um tem seus próprios medos para encarar e esperar que a resposta ou calmaria para todo esse barulho que tem aí dentro esteja em outra pessoa é tolice. Só você pode organizar e reconhecer seus limites e também sentimentos, por mais bagunçados que estejam.

Você está por conta própria. Só você. As pessoas até podem te ouvir, mas não espere que elas entendam e solucionem seus mistérios. A rota de fuga para a sua vida só você pode trilhar. Pense sempre nisso. É hora de começar a traçar um plano e por sua conta e risco fazer com que ele dê certo.

Texto de Quinta: Marcas que nunca cicatrizam

Texto de Quinta: Marcas que nunca cicatrizam

É incrível como mágoas passadas nunca deixam de me assombrar. O tempo passa e eu digo que superei. E acredito que tenha superado de verdade. Mas cada vez que alguém se aproxima de mim, chega perto o suficiente da beira do meu abismo e me olha com olhar de quem já está se acostumando com as minhas manias, quase pronto para se jogar em todas elas, me estendendo a mão, sutilmente, num gesto para que eu o acompanhe no salto: um alarme soa dentro de mim. E parece que o passado vira presente, me deixando com a sensação de que o futuro será um pouco mais das mágoas que eu pensei ter superado.

Alguém entende esse feeling? Essa sensação de querer se trancar em um quarto e fugir de cada sentimento bom que possa me dominar outra vez? Esse medo de se entregar para alguém que não vale à pena, ou que agora possa valer, mas no futuro não valerá?

we heart it
Foto: We Heart It

Eu sei, eu preciso desapegar do passado, parar de pensar no que pode acontecer no futuro. É completamente errado fugir de um sentimento que eu não tenho certeza nenhuma se será tão devastador quanto sentimentos passados. É errado julgar que outros farão com que eu me sinta do mesmo jeito que me senti anos atrás. Perdida. Totalmente perdida.

Mas entendem como foi difícil de me encontrar outra vez? Imagino que sempre seja preciso nos perder, nos encontrar e nos perdermos de novo para nos encontrarmos de novo. Esse deve ser o processo que chamam de amadurecer. Você aprende com os erros, aprende como lidar e, quem sabe, controlar certos sentimentos. Cada vez que nos perdemos e nos encontramos, lidamos com saudades que parecem ser intermináveis e com impulsos que parecem ser impossíveis de controlar. Sempre aprendemos algo, melhoramos algo. Porém, comigo o medo é algo que sempre fica e me consome.

Vivo escrevendo e falando para as pessoas se entregarem, se permitirem, se libertarem de mágoas passadas que só nos atrasam e nos fazem mal. Vivo na tentativa de fazer o que peço para as pessoas fazerem. Sou um fracasso sentimental. Sou uma hipócrita que diz para fazerem o que sempre reluto em fazer. E acabo sempre fugindo, com medo de algo que nem mesmo sei se irá acontecer.

Uma metáfora sobre armários, xícaras e amores que não te cabem mais

Uma metáfora sobre armários, xícaras e amores que não te cabem mais

E as pessoas vão se moldando para conseguirem caber em um relacionamento. É difícil encontrar uma verdade no meio de tantas invenções. As pessoas escondem seus defeitos, fingem gostar de algo que não gostam, mostram interesses por coisas que têm desinteresses, vivem em um relacionamento limitado, onde não são quem realmente são por medo da rejeição.

Não que eu quisesse rimar, mas cada vez mais essas atitudes acontecem, é difícil encontrar alguém que dá a cara a tapa hoje em dia. De vez em quando, confesso, eu arrisco contar alguma verdade minha, bem baixinho, para não fazer tanto barulho e ver se a outra pessoa decide ser de verdade comigo também.

Mas isso é errado, estou fazendo errado, e se você também esconde suas verdades, seleciona qual delas falará primeiro, está tão errado quanto eu… Estamos jogando o mesmo jogo daqueles que critiquei no início do texto e que você acabou concordando comigo (ou vai dizer que discordou?). E sei que não é por maldade, é por cansaço mesmo. Já estou carimbada em tentar caber em pessoas que querem ser só delas e que preferem não dizer essa verdade de início para não largar o osso. Você também não está?

É difícil, acho que isso todos nós podemos admitir. Falar a verdade, ser a verdade, transparecer toda a verdade que tem dentro da gente é de uma dificuldade enorme. Só que se começarmos todos a mentir, a moldar-se as verdades de outras pessoas (que não sabemos se são verdades mesmo ou outras mentiras mais fáceis de aceitar), podar cada gotinha da própria essência para agradar aquele que acabou de chegar, quem realmente seremos no final das contas se fizermos todo esse esforço? Toda essa mudança?

We Heart It
Foto: WeHearIt

Sim, existem mudanças que acontecem para o nosso bem. Existem temperamentos e personalidades que com o tempo merecem mudar. Nada pode ficar tanto tempo sem nenhuma mudança. Mas remendar-se a cada novo alguém que chega só para prolongar mais essa estadia é como fazer uma viagem com a passagem de volta já comprada.

Não é tão difícil de entender assim. É só não ficar tentando encaixar e guardar a xícara naquele armário que já está cheio de coisas, sabe? Uma hora pode cair tudo e você ter que perder um grande tempo arrumando e guardando tudo outra vez. Cortar a xícara em pedaços também não é uma opção, uma vez quebrada ela nunca voltará intacta, sempre terão as marcas, rachaduras, completamente visíveis.

O jeito que vivo tentando dizer (e fazer também) é que não precisamos fingir tanto por um relacionamento. Na verdade, não precisamos fingir nada. Ser quem realmente somos e todas essas frases clichês que vivem falando em filmes, livros e séries. Levar mais ao pé da letra esse lance de simplesmente aceitar quando a pessoa não encaixa em você ou reconhecer a famosa hora de parar quando você ficou se apertando para caber em outro alguém.

Sinto uma tremenda vergonha em dizer isso, mas quando tiver que ser, vai ser. E acredite, preste bem atenção nas palavras a seguir: você não vai precisar esconder nada, entregar verdades pela metade ou ficar pendurado na beirada de algum armário que não te cabe mais.

Texto de Quinta: Nenhuma mensagem

Texto de Quinta: Nenhuma mensagem

Checo o celular entre um episódio e outro, entre uma pausa e outra, entre um capítulo e outro, entre um trabalho e outro. Checo o celular constantemente como se existisse a possibilidade de aparecer alguma notificação que fosse estampar um sorriso extremamente bobo e apaixonado em meu rosto. Como se eu tivesse alguém e estivesse esperando que esse alguém me respondesse uma pergunta muito importante, daquelas de como foi seu dia ou se você gostaria de fazer algo hoje.

É ridículo. Deus deve olhar lá de cima e desacreditar da minha tolice. Eu sou tola em ficar verificando meu celular procurando por uma mensagem que não chegará. Não tem ninguém. Absolutamente ninguém. Apenas eu mesma e a certeza de que isso não vai mudar tão cedo.

Parte de mim, essa parte estúpida e tola fica esperando que eu procure por esse alguém, que eu volte a esse estado de espera, de procura, de querer encontrar alguma notificação especial no celular. Mas eu estou cansada demais para esse tipo de coisa. Cansada demais para encarar todas as situações que geralmente encaramos durante todo esse lance de se relacionar com alguém.

A verdade é que fico muito bem sozinha. Ou na verdade mesmo é que não sei se tenho a mesma disposição que sempre tive para as decepções e mágoas. Não adianta me chamar de pessimista, de falar que estou fazendo drama, mas magoar-se e decepcionar-se com as pessoas é completamente normal. Fazemos isso o tempo todo, não só em situações amorosas. E realmente não sei se tenho disposição para mais doses dessas normalidades. Elas, quando acontecem, me aterrorizam por meses, longas horas de tortura psicológica que se eu fosse consultada em um médico ele me faria uma contra indicação.

Eu sinto falta, acho que por isso fico checando o celular e sentindo uma leve decepção ao não encontrar nada em especial. Mas eu não estou pronta. Pelo menos não quero estar pronta. Não agora. Não para mais erros estúpidos e desculpas esfarrapadas que sempre escuto quando tento dar certo com alguém. Fico lendo diversas dessas frases clichês, aturo olhares de solteiros felizes que não entendem porque fico alimentando esse drama, reviro os olhos quando casais começam a listar, como se fosse uma listinha de supermercado, os motivos que tenho para amar a minha liberdade.

weheartit
Foto: Reprodução/WeHeartIt

E eu amo, de verdade. Amo tomar cada decisão sozinha e encarar apenas as minhas necessidades. Amo todas as possibilidades que tenho sempre que saio para algum lugar. Só que odeio essa incerteza que carrego comigo todos os dias em não saber se existe mesmo alguém lá fora que não me fará esperar por notificações, alguém que me livrará de toda a espera porque não terei mais o que esperar. Não sei se dá para entender o sentimento.

É trocar a certeza de que estou sozinha pela certeza de que não estou sozinha. Eu sei, é preciso saber lidar com seus problemas por conta própria, nascemos e na maioria morremos sozinhos, mas dividir um pouco dessa solidão é libertador. É uma espécie diferente de liberdade, encontrar-se em outro alguém e ser livre espontaneamente em todo o sentimento que fluir nessa conexão de olhar, toque, beijo.

Mas eu não estou pronta. Por mais que eu queira. Por mais que eu sinta falta e fique pensando como vai ser quando finalmente acontecer. Eu não estou pronta. Até agora cada vez que me entreguei foi para errar e aprender com esses erros. Até agora cada vez que me envolvi foi para me magoar e lidar com todas as mágoas. No fundo eu quero desesperadamente uma mensagem. Mas na consciência eu sei que ainda não é a hora e que não me perguntem quando será.

06h38… Checo o celular uma última vez antes de dormir. Nenhuma mensagem. Ninguém. Apenas o silêncio do meu apartamento. Uma ambulância passa lá embaixo na avenida. 06h40… Está na hora de aceitar que não terei uma mensagem enquanto eu não estiver disposta a correr todos os riscos outro vez. Eu estou cansada. Vou aceitar a minha solidão e fazer dela uma boa companhia. Só espero não me acostumar demais.

Texto de Quinta: O amor nem sempre é capaz

Texto de Quinta: O amor nem sempre é capaz

We Heart It
Foto: Reprodução/We Heart It

Você caiu no conto do “amor muda tudo” e agora está presa a uma pessoa que não te fará bem nenhum. Leia esse texto até o final para não cair nessa maldição.

É sempre bom lembrar que nem sempre o amor muda as pessoas, nem sempre o amor curará todas as feridas, nem sempre o amor será capaz de seja lá qual for a situação ou sentimento que você queira ajeitar. O amor nem sempre é capaz.

Não que isso nunca acontecerá. Você poderá ouvir histórias de pessoas que não tinham a mínima consideração por aquela que dizia que a amava todo dia e que com o amor e tempo conseguiram mudar, reconhecendo aquela que a amava e sentindo gratidão por tê-la em sua vida.

Essas coisas acontecem. Não vou mentir para você. Mas quero te alertar sobre casos sem solução, pessoas que não estão interessadas em relacionamentos sinceros. Pessoas que não sabem retribuir o que recebem, que não estão preparadas para a troca, para a reciprocidade. Pessoas que não dão a mínima para o que você diz sentir. E realmente sente. Em abundância. Em urgência. Em silêncio já com medo de que coloque tudo a perder.

O amor nem sempre é capaz de fazer caridade e abrir os olhos de quem está cego ao teu lado e não te vê. Não te vê como quem você merecia ser visto. Você merece mais que isso. Mais que um alguém que não te valoriza, não te ama, não te passa a segurança que você vive tentando passar. Existem batalhas que não foram feitas para serem vencidas, lembre-se disso. Às vezes, toda essa luta que você enfrenta diariamente para ser valorizado por quem simplesmente não te merece já seja um nocaute e só você não tenha sido avisado.

Então estou te avisando aqui. Agora. Da maldição do “amor muda tudo”. Nem sempre o mais sincero e lindo sentimento é capaz de mudar aquele coração que nasceu para a escuridão. Nem sempre será você ou o seu amor capaz de mudar aquela pessoa. Tenha em mente que nem todo sofrimento e esforço valerá a pena, saiba a famosa hora de parar.

Texto de Quinta: Pare de esconder seus sentimentos

Texto de Quinta: Pare de esconder seus sentimentos

Está uma bagunça, eu sei. Você nunca foi muito boa em organizar os próprios sentimentos, admita. Nem o próprio quarto você consegue arrumar sem antes se distrair com alguma música tocando e pausar a faxina para fazer algum show particular segurando o pano de tirar o pó da sua estante.

É assim com seus sentimentos, você não os extravasa, não coloca para fora, vai guardando um por um esperando a oportunidade certa para falar sobre o assunto. Mas quando será essa oportunidade? Quem garante que você realmente lembrará de todos os sentimentos que acumula?

Você não lembra nem o que almoçou na segunda-feira. Ou lembra? Você tende a esquecer fácil das coisas que dizem respeito à você, não sei porquê. Então desiste disso, para de ficar adiando os próprios sentimentos como se alguém fosse esperar e adivinhar que alguma coisa está sendo guardada aí dentro de ti.

WeHeartIt
Foto: Reprodução/WeHearIt

Sinta. Diga. Faça com que ouçam todo esse barulho que você se esforça tanto para abafar. Demonstre. As pessoas não têm bola de cristal para adivinhar o que está acontecendo dentro do teu coração, nem conseguem ler teus pensamentos. Permita-se. E quebre a cara. Faz parte do processo. Nem tudo são rosas e nem todo mundo vai se importar com o que você tem a dizer. Infelizmente.

Chega de se esconder, garota, não tenha medo. E se não entenderem o que você tem a dizer, diga mais uma vez, depois outra, depois outra ou simplesmente mude o ouvinte. É uma bagunça quando tentamos guardar tudo aqui dentro da gente. Não tem como organizar em pastas ou em ordem alfabética. Diga. Sinta. Deixe que saibam e deixe de se importar com o que podem pensar.

Sentimentos são loucos para todo mundo e você acabará louca se não começar a colocá-los para fora. Saiba separar as pessoas que não querem te ouvir das que querem saber o que você tem a dizer.

Ainda sinto, Anjo

Ainda sinto, Anjo

Escritora de Quinta
Foto: Reprodução/WeHeartIt

E ainda sinto, Anjo, ainda sinto aquela saudadezinha de ti. Ela chega assim, do nada, como quem não quer nada e me faz pensar no teu riso quando eu contava alguma piada, no teu olhar quando dizia que me amava, na tua voz rouca quando me ligava para dizer bom dia.

Ela chega, Anjo, como uma chave abrindo a caixinha pequena onde guardei todas as lembranças que tenho de ti. Daí eu não posso fazer nada, sento e fico sentindo ela tomar conta de mim de pouquinho em pouquinho, sentindo meu coração titubear com a presença dela. Eu começo a assistir aquele filme que só eu assisto com todas as coisas que já passamos juntos, as risadas, as brigas, os segredos.

Eu começo a querer te ligar, Anjo. Começo a traçar um plano para entrar outra vez no teu caminho, para tentar outra vez ser aquela que tu sempre chega no fim para conversar como foi o teu dia, sabe? Fico pensando se eu teria direito a um segundo papel na tua vida, tipo um segundo personagem, mas como se até ela soubesse do tamanho dessa loucura, a saudadezinha que te disse, ela mesma vai diminuindo, voltando devagar para sabe lá de onde ela veio e no lugar dela vai ficando a realidade, batendo os pés com os braços cruzados e me encarando com aquele olhar reprovador.

Não poderia representar qualquer outro papel na tua vida a não ser aquele que eu sempre fui, não por ti, mas por mim que não te aceitaria na minha vida de outra forma que não fosse aquela pela qual tu fugiu. E olhando agora para toda essa situação, percebo a verdadeira bagunça que estou tendo que lidar. Tentando te esquecer e ainda querendo te ter mesmo depois de todo esse tempo que já não nos vemos mais.

O sorriso da vitória

O sorriso da vitória

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Foto: Reprodução/Tumblr

Tem sido difícil toda essa coisa de se encontrar novamente, de seguir em frente, de deixar o passado para trás, de lidar com um sentimento que deve ser reprimido…

Passamos dias tentando não pensar muito. Ficamos horas olhando para o bloco de notas aberto tentando escrever ou pensar sobre algo diferente. Dizemos por aí com a maior convicção que está tudo bem. Só que quando estamos sozinhos a verdade aparece.

Quase não pensamos nisso, quase não admitimos em voz alta, mas é difícil. Já faz tempo, um bom tempo e tem dias que sinto que continuo na mesma. Acho que todo mundo deve se sentir assim na estaca zero, atolado numa poça de sentimentos que se recusam a ser deixados pra trás. É bastante cansativo também. Depois de um bom tempo a gente até vai se acostumando, vai conhecendo os limites e aceitando que realmente não é fácil esquecer alguém, deixar sentimentos no passado e seguir em frente.

Só que o engraçado é que nunca percebemos quando essas coisas todas começam a diminuir, sabe? É sempre tão complicado de se falar que nunca nos damos conta quando tudo finalmente passa, fica para trás. Acho que ficamos tão focados nessa dificuldade que é sentir e não querer sentir ao mesmo tempo, que esquecemos de prestar atenção nos detalhes.

Nunca vamos saber que superamos. Sempre vamos ficar pensando em tudo, menos em como cada dia que passa estamos deixando, sem nem perceber, pedacinho por pedacinho, um de cada vez, num processo lento, tão lento que nem se quer nos damos conta dele. Medo, saudade, mágoa, amor… Vamos deixando um pouco de cada sentimento para trás.

Nunca focamos na vitória até ela estar diante dos nossos olhos com todos de pé aplaudindo. Nunca reparamos no processo que é preciso fazer para chegarmos nela e, eu sei, como vamos reparar ou até mesmo pensar nessas coisas quando estamos lidando com tantas dificuldades, com tantos sentimentos mal resolvidos, com tantas saudades sufocadas, com tantas vontades deixadas pra trás.

Mas então um dia qualquer olhamos para frente e descobrimos que estamos em um lugar diferente. Um dia qualquer olhamos em volta e percebemos, então, que seguimos em frente, que caminhamos, que ganhamos. E é nessa hora que devem entrar as pessoas aplaudindo a nossa vitória, mas, como nada é fácil nessa vida, a única prova da vitória, a única certeza de que ela realmente está acontecendo vai ser o nosso sorriso bobo, triunfante, escancarado no nosso rosto por finalmente, finalmente termos seguido em frente e deixado todas as coisas difíceis pra trás.