Texto de Quinta: O amor nem sempre é capaz

Texto de Quinta: O amor nem sempre é capaz

We Heart It
Foto: Reprodução/We Heart It

Você caiu no conto do “amor muda tudo” e agora está presa a uma pessoa que não te fará bem nenhum. Leia esse texto até o final para não cair nessa maldição.

É sempre bom lembrar que nem sempre o amor muda as pessoas, nem sempre o amor curará todas as feridas, nem sempre o amor será capaz de seja lá qual for a situação ou sentimento que você queira ajeitar. O amor nem sempre é capaz.

Não que isso nunca acontecerá. Você poderá ouvir histórias de pessoas que não tinham a mínima consideração por aquela que dizia que a amava todo dia e que com o amor e tempo conseguiram mudar, reconhecendo aquela que a amava e sentindo gratidão por tê-la em sua vida.

Essas coisas acontecem. Não vou mentir para você. Mas quero te alertar sobre casos sem solução, pessoas que não estão interessadas em relacionamentos sinceros. Pessoas que não sabem retribuir o que recebem, que não estão preparadas para a troca, para a reciprocidade. Pessoas que não dão a mínima para o que você diz sentir. E realmente sente. Em abundância. Em urgência. Em silêncio já com medo de que coloque tudo a perder.

O amor nem sempre é capaz de fazer caridade e abrir os olhos de quem está cego ao teu lado e não te vê. Não te vê como quem você merecia ser visto. Você merece mais que isso. Mais que um alguém que não te valoriza, não te ama, não te passa a segurança que você vive tentando passar. Existem batalhas que não foram feitas para serem vencidas, lembre-se disso. Às vezes, toda essa luta que você enfrenta diariamente para ser valorizado por quem simplesmente não te merece já seja um nocaute e só você não tenha sido avisado.

Então estou te avisando aqui. Agora. Da maldição do “amor muda tudo”. Nem sempre o mais sincero e lindo sentimento é capaz de mudar aquele coração que nasceu para a escuridão. Nem sempre será você ou o seu amor capaz de mudar aquela pessoa. Tenha em mente que nem todo sofrimento e esforço valerá a pena, saiba a famosa hora de parar.

Texto de Quinta: Pare de esconder seus sentimentos

Texto de Quinta: Pare de esconder seus sentimentos

Está uma bagunça, eu sei. Você nunca foi muito boa em organizar os próprios sentimentos, admita. Nem o próprio quarto você consegue arrumar sem antes se distrair com alguma música tocando e pausar a faxina para fazer algum show particular segurando o pano de tirar o pó da sua estante.

É assim com seus sentimentos, você não os extravasa, não coloca para fora, vai guardando um por um esperando a oportunidade certa para falar sobre o assunto. Mas quando será essa oportunidade? Quem garante que você realmente lembrará de todos os sentimentos que acumula?

Você não lembra nem o que almoçou na segunda-feira. Ou lembra? Você tende a esquecer fácil das coisas que dizem respeito à você, não sei porquê. Então desiste disso, para de ficar adiando os próprios sentimentos como se alguém fosse esperar e adivinhar que alguma coisa está sendo guardada aí dentro de ti.

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Foto: Reprodução/WeHearIt

Sinta. Diga. Faça com que ouçam todo esse barulho que você se esforça tanto para abafar. Demonstre. As pessoas não têm bola de cristal para adivinhar o que está acontecendo dentro do teu coração, nem conseguem ler teus pensamentos. Permita-se. E quebre a cara. Faz parte do processo. Nem tudo são rosas e nem todo mundo vai se importar com o que você tem a dizer. Infelizmente.

Chega de se esconder, garota, não tenha medo. E se não entenderem o que você tem a dizer, diga mais uma vez, depois outra, depois outra ou simplesmente mude o ouvinte. É uma bagunça quando tentamos guardar tudo aqui dentro da gente. Não tem como organizar em pastas ou em ordem alfabética. Diga. Sinta. Deixe que saibam e deixe de se importar com o que podem pensar.

Sentimentos são loucos para todo mundo e você acabará louca se não começar a colocá-los para fora. Saiba separar as pessoas que não querem te ouvir das que querem saber o que você tem a dizer.

Ainda sinto, Anjo

Ainda sinto, Anjo

Escritora de Quinta
Foto: Reprodução/WeHeartIt

E ainda sinto, Anjo, ainda sinto aquela saudadezinha de ti. Ela chega assim, do nada, como quem não quer nada e me faz pensar no teu riso quando eu contava alguma piada, no teu olhar quando dizia que me amava, na tua voz rouca quando me ligava para dizer bom dia.

Ela chega, Anjo, como uma chave abrindo a caixinha pequena onde guardei todas as lembranças que tenho de ti. Daí eu não posso fazer nada, sento e fico sentindo ela tomar conta de mim de pouquinho em pouquinho, sentindo meu coração titubear com a presença dela. Eu começo a assistir aquele filme que só eu assisto com todas as coisas que já passamos juntos, as risadas, as brigas, os segredos.

Eu começo a querer te ligar, Anjo. Começo a traçar um plano para entrar outra vez no teu caminho, para tentar outra vez ser aquela que tu sempre chega no fim para conversar como foi o teu dia, sabe? Fico pensando se eu teria direito a um segundo papel na tua vida, tipo um segundo personagem, mas como se até ela soubesse do tamanho dessa loucura, a saudadezinha que te disse, ela mesma vai diminuindo, voltando devagar para sabe lá de onde ela veio e no lugar dela vai ficando a realidade, batendo os pés com os braços cruzados e me encarando com aquele olhar reprovador.

Não poderia representar qualquer outro papel na tua vida a não ser aquele que eu sempre fui, não por ti, mas por mim que não te aceitaria na minha vida de outra forma que não fosse aquela pela qual tu fugiu. E olhando agora para toda essa situação, percebo a verdadeira bagunça que estou tendo que lidar. Tentando te esquecer e ainda querendo te ter mesmo depois de todo esse tempo que já não nos vemos mais.

O sorriso da vitória

O sorriso da vitória

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Foto: Reprodução/Tumblr

Tem sido difícil toda essa coisa de se encontrar novamente, de seguir em frente, de deixar o passado para trás, de lidar com um sentimento que deve ser reprimido…

Passamos dias tentando não pensar muito. Ficamos horas olhando para o bloco de notas aberto tentando escrever ou pensar sobre algo diferente. Dizemos por aí com a maior convicção que está tudo bem. Só que quando estamos sozinhos a verdade aparece.

Quase não pensamos nisso, quase não admitimos em voz alta, mas é difícil. Já faz tempo, um bom tempo e tem dias que sinto que continuo na mesma. Acho que todo mundo deve se sentir assim na estaca zero, atolado numa poça de sentimentos que se recusam a ser deixados pra trás. É bastante cansativo também. Depois de um bom tempo a gente até vai se acostumando, vai conhecendo os limites e aceitando que realmente não é fácil esquecer alguém, deixar sentimentos no passado e seguir em frente.

Só que o engraçado é que nunca percebemos quando essas coisas todas começam a diminuir, sabe? É sempre tão complicado de se falar que nunca nos damos conta quando tudo finalmente passa, fica para trás. Acho que ficamos tão focados nessa dificuldade que é sentir e não querer sentir ao mesmo tempo, que esquecemos de prestar atenção nos detalhes.

Nunca vamos saber que superamos. Sempre vamos ficar pensando em tudo, menos em como cada dia que passa estamos deixando, sem nem perceber, pedacinho por pedacinho, um de cada vez, num processo lento, tão lento que nem se quer nos damos conta dele. Medo, saudade, mágoa, amor… Vamos deixando um pouco de cada sentimento para trás.

Nunca focamos na vitória até ela estar diante dos nossos olhos com todos de pé aplaudindo. Nunca reparamos no processo que é preciso fazer para chegarmos nela e, eu sei, como vamos reparar ou até mesmo pensar nessas coisas quando estamos lidando com tantas dificuldades, com tantos sentimentos mal resolvidos, com tantas saudades sufocadas, com tantas vontades deixadas pra trás.

Mas então um dia qualquer olhamos para frente e descobrimos que estamos em um lugar diferente. Um dia qualquer olhamos em volta e percebemos, então, que seguimos em frente, que caminhamos, que ganhamos. E é nessa hora que devem entrar as pessoas aplaudindo a nossa vitória, mas, como nada é fácil nessa vida, a única prova da vitória, a única certeza de que ela realmente está acontecendo vai ser o nosso sorriso bobo, triunfante, escancarado no nosso rosto por finalmente, finalmente termos seguido em frente e deixado todas as coisas difíceis pra trás.

O que a gente faz com essa intensidade?

O que a gente faz com essa intensidade?

Conversando com uma amiga esses dias estávamos falando sobre intensidade, sobre como é difícil ser tão intensa nesse mundo de pessoas tão rasas. Sobre como é difícil tentar controlar tudo que se passa aqui, dentro da gente, para não assustar ninguém.

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Foto: We Heart It

Eu digo por mim, digo pela luta que travo sempre quando conheço alguém. Tento disfarçar, fazer pouco caso, fingir que não é nada demais, que não vai dar certo mesmo. No começo vou levando na brincadeira. Só que não dá para fingir quem somos, não dá para esconder para sempre os sentimentos quando eles começam aparecer. Eu até posso tentar domar eles, tentar diminuir, mas o desgaste que isso causa é tão grande. É tão cansativo.

Eu já me transbordei algumas vezes, já dei voz a minha intensidade, já a despejei por aí. As pessoas é que nunca souberam lidar com ela e simplesmente partiram. E dessas partidas, dessas mágoas que fui acumulando a cada despedida, o medo e a insegurança é que passaram a tomar conta de mim cada vez que um novo alguém apareceu. Cada vez que um novo alguém continua aparecendo.

No começo eu reluto, tento fugir, mas no fim acabo cedendo e tendo que mais uma vez apagar todo esse brilho que floresce e que ofusca, assusta, cega as pessoas. Já tentei explicar, mas cada vez que abro a boca as palavras se embolam e nunca entendem direito o que estou querendo dizer, o que estou querendo pedir.

No fundo, eu gostaria de pedir para a pessoa não se assustar. Pedir para ela não fugir, para que ela tente ficar, tente lidar ou ao menos só tente qualquer coisa que não envolva mágoas, sabe? Eu sei que é demais, eu sei que assusta, eu enlouqueço tentando lidar sozinha com tudo que eu sinto para tentar fazer com que a pessoa fique, mas… Mas… A gente não pode tentar sempre sozinha. Às vezes, eu gostaria de pedir isso, de pedir que a pessoa tente comigo, que ela seja um pouco como minha âncora para me segurar no meio que é toda essa tempestade de sentimentos que surgem quando começo a sentir. Quando baixo a guarda e finalmente decido me entregar.

O lado bom, o lado que eu prefiro acreditar que seja o bom, é que mesmo com toda essa tempestade de sentimentos, com toda essa intensidade, com todo esse peso que eu sinto e deixo as coisas surgirem, eu ainda me entrego. Eu ainda busco dentro dessa confusão toda que tenho aqui dentro a esperança, a fé, de que até posso passar essa vida sem aprender a controlar ou diminuir tudo que sinto, mas que um dia alguém não irá fugir.

Um dia alguém irá ficar e conseguirá enxergar tudo que antes acabou cegando e ofuscando outros olhos. Um dia enquanto eu brilhar em sentimentos alguém estará do outro lado me fitando, conseguindo me enxergar, de verdade, como sou, intensa, transbordante, sem restrições ou tentando me encaixar. Todos sabemos que quando as peças se encaixam, elas apenas se encaixam, sem esforço, sem ajustes, sem recortes. Então, um dia… Um dia…

 

Texto de Quinta: Aquela paz

Texto de Quinta: Aquela paz

tumblr_m28as4Hn9c1r1si11o1_500Não é sempre. Algumas vezes demora. E na maioria acontece quando menos esperamos. Em uma tarde nublada de domingo, por exemplo, quando você termina um livro que te levou para lugares tão distantes, que foram capazes de te fazer esquecer qualquer bagunça pessoal que esteja acontecendo na sua vida.

Quando, sem querer, você percebe que as pessoas ao seu redor bastam, que o que elas sentem por você pode te preencher também, de uma maneira diferente, claro, mas de um jeito completamente surpreendente. É quando você sente a brisa do mar bagunçar seu cabelo e se sente grata por qualquer que seja o motivo.

Pode ser quando o sorriso daquela pessoa que você ama invade a sua memória como uma avalanche, te deixando com uma sensação a mais, não única, ou completa, mas como se fosse um acréscimo para tudo que tem aí dentro de ti. Aquela paz quando nos sentimos de bem com a gente, sabe? Quando nos bastamos e o que quer que chegue em nossas vidas, chega para acrescentar, não para dominar.

Você simplesmente para, olha ao redor e se sente livre de todos os pesadelos e medos. Não que eles não existam mais, eles existem, mas o sentimento de que você conseguirá superar todos eles é maior. Acredito que seja o ponto alto de nós mesmos. Quando encontramos aquela paz, aquela de estar de bem consigo mesmo, satisfeito consigo mesmo, onde, independente se você tenha uns bons amigos, uma boa família ou um bom amor, você se sente bem, de coração e alma. E isso vem de você, de dentro para fora, uma paz que poucos conhecem, mas que muitos buscam.

Não é sempre que acontece, mas quando acontece…

*Foto: We Heart It

Texto de Quinta: O que está acontecendo?

Texto de Quinta: O que está acontecendo?

Eu não sabia muito bem onde estava. As coisas pareciam um pouco fora de foco. Meus sentimentos estavam mais bagunçados do que nunca e foi complicado tentar entender que cena era aquela.

Faz alguns meses que eu não o encontro. Fiquei em estado de choque quando dei de cara com aqueles olhos castanhos escuros me encarando seriamente. Ele parecia tão bravo, tão decepcionado e ao lembrar de todas as coisas que aconteceram em nossa relação, era como se ele refletisse o que eu deveria estar sentindo.

Eu tentei falar, mas não consegui. Minha boca estava seca e as palavras embaralhadas demais na minha mente para serem pronunciadas. Sua barba estava por fazer, seu cabelo todo desgrenhado, a pontinha da sua tatuagem escapando pela manga da camisa cor de vinho que ele estava usando, cada detalhe, cada um, era como se fossem tiros atrás de tiros no meu peito. Meu coração estava me matando.

Até que eu comecei a sentir vergonha, meu consciente começou a me entregar, aos poucos, os fatos que eu não estava lembrando. Ele estava solteiro outra vez. Eu fiz algo muito errado com ele, o que explicava aquele olhar tão carregado de mágoa, tão cheio de ressentimento com a minha pessoa. Mas o que eu tinha feito? Por que eu tinha magoado ele? E tanto assim? Não era o contrário?

Então, me tirando do meu devaneio, ele bate palmas. Quatro palmas para ser exata. Não que eu tenha contado, apenas lembro muito bem que foram quatro. Sua voz, que a tanto tempo eu não ouvia, preenche o silêncio entre nós dois “palmas pra você! Você merece o título de pior mulher do mundo”.

Acordei. Parte assutada. Parte aliviada. Eu estava sozinha no meu quarto. Eram seis horas da manhã e tudo não passara de um sonho. Ou pesadelo. Eu estava com o complexo de ex. Eu estava começando a ficar perturbada. Atormentada por aqueles que me magoaram, sendo lembrada pelos erros que venho cometendo, da mesma maneira que cometeram comigo. Eu estava ficando louca. Sonhando com frases de Wesley Safadão e com idiotas que me foderam.

Eu estava me sentindo culpada, estava começando a ficar igual a todos esses filhos da puta que já passaram pela minha vida. Droga! Eu estou perdendo a cabeça e o controle. Estou me tornando o que eu jamais esperei que fosse me tornar. Estou fodida. E ainda acordei cedo em pleno dia da minha folga. Urgh!

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Foto: We Heart It