O Rei do Show | Um filme mágico e inspirador

O Rei do Show | Um filme mágico e inspirador

Acho que janeiro tem sido um ótimo mês para o cinema. Ano passado comecei o ano assistindo La La Land e que filme, meus amigos, que filme! Agora, primeira semana de 2018 e eu já estava sentada no cinema assistindo O Rei do Show e ficando arrepiada com a sintonia incrível que eles criaram nesse longa. Um presente para aqueles meros mortais que sonham acordado. A história é magia pura para os corações sonhadores!

“Um milhão de sonhos é tudo que preciso, um milhão de sonhos para o mundo que vamos fazer”

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Hugh Jackman como P.T. Barnum, o verdadeiro Rei do Show ❤ (Foto: Divulgação/IMDb)

Hugh Jackman é P.T. Barnum, o showman e empresário que revolucionou o entretenimento norte-americano em meados de 1835. O filme é inspirado em sua biografia e nos mostra como Barnum realmente foi incrível em sua época ao criar seu show de “fraudes” e provar o quanto nossos sonhos são possíveis.

Mas o filme não é apenas isso, são braços abertos dispostos a abraçar aqueles que são diferentes, uma inspiração sobre como podemos trabalhar nossas diferenças, aceitá-las, nos orgulharmos delas. É meio triste como as pessoas, na maioria das vezes, reagem a tudo que é novo, fora do tradicional e O Rei do Show também trabalha esse lado, mostrando como devemos ser fortes perante os julgamentos daqueles que não estão dispostos a aceitar as diferenças que existe entre cada ser humano. É uma linda lição sobre preconceito e como devemos deixá-lo de lado.

“Porque tudo o que você quer está bem na sua frente… E você vê o impossível se tornando realidade”

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Que figurino, que caracterização, que coreografia, que show! ❤ (Foto: Divulgação/IMDb)

Foi uma nostalgia maravilhosa poder ouvir Zac Efron cantando outra vez. Me desculpem, mas sou fã de High School Musical, então imaginem minha alegria! A química entre seu personagem, Phillip Carlyle, e Anna Wheeler, interpretada por Zenday, não foi bem o destaque, já que o encanto maior estava quando ele aparecia ao lado de Hugh Jackman. Todo o elenco estava em sintonia e mesmo que os arcos não tenham sidos tão aprofundados, cada um esteve em seu melhor momento durante o longa. A única coisa que ficou um pouco amena foi o romance e drama da história, tive a sensação de que ele não foi tão bem explorado, é como se alguma pequena coisa tivesse ficado pelo meio do caminho.

Tirando isso e entrando nos termos que todo pseudo-crítico e crítico adora elogiar (desculpem, meus amigos, mas não estou mentindo e vocês sabem disso), a fotografia é perfeita! O encaixe da trilha sonora com as coreografias ficou incrível e que trilha sonora, de verdade, eu ficava arrepiada a cada música! This is Me está concorrendo a canção original em diversas premiações e eu estou na torcida, é merecido demais. Benj Pasek e Justin Paul são os responsáveis e adivinhem? Foram eles que também criaram a trilha sonora de La La Land.

“Eu sei que há um lugar para nós pois somos gloriosos”

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Zac Efron e Hugh Jackman, que dupla, que sintonia, eu fiquei ainda mais apaixonada! (Foto: Divulgação/IMDb)

Estamos em tempos difíceis, acho que sempre estaremos passando por alguma dificuldade. Não sei dizer se hoje as pessoas, felizmente, têm mais coragem para falar sobre seus problemas e por isso a falta de empatia que temos com o próximo acaba ficando cada vez mais nítida. Casos e casos de preconceito e discriminação são expostos na mídia ou até mesmo entre amigos. É exaustivo. Mas é importante que falemos sobre isso, que filmes mostrem e cheguem até as pessoas com esse tipo de assunto para que melhoremos.

Durante os espetáculos no circo criado por Barnum e quando as pessoas passaram a saber da existência dele somos expostos a real lição que a trama quer nos passar: a aceitação das diferenças, o não ao preconceito. O Rei do Show, e principalmente a canção principal This is Me, se tornaram o hino de 2018 para nos aceitarmos e abraçarmos o próximo com maior empatia, sem tantos julgamentos, pois precisamos de mais amor e menos preconceito nesse mundo cada vez mais repleto de diferenças. Ah, e sabe os sonhos? Aqui, nessa história, enchemos nossos corações com eles.

Assista ao trailer:

Até a data desse post o filme encontra-se em cartaz nos cinemas… Corre!

*Todas as fotos usadas estão sob licença do site IMDb

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Trolls | Uma metáfora sobre a felicidade que vivemos buscando

Trolls | Uma metáfora sobre a felicidade que vivemos buscando

Eu sou suspeita para falar de animações, sou apaixonada e sempre acabo me emocionando com seja lá qual for a metáfora que eles trabalharam na trama. Claro que as crianças não vão entender do mesmo jeito que nós, macacos velhos. Digo, são simples desenhos… Para a maioria que assiste.

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Foto: Divulgação/IMDb

Você acha que vai ver uma animação clichê e se depara com um filme bem estruturado, com uma história bem feita, uma ótima trilha sonora e emoção, muita emoção! Trolls são conhecidos por serem Duendes da Sorte, existe uma lenda de que você só conseguirá ser feliz se comer um deles. O que a gente pode muito bem trazer para nossa realidade, afinal, sempre existe alguma coisa que precisamos ter para alcançarmos a felicidade.

Em cada pessoa, na maioria das vezes, existe algo faltando para que a mesma seja completamente feliz. Vivemos buscando um ideal de felicidade que parece nunca chegar. E esquecemos de olhar para nós mesmos, esquecemos de dar importância para as coisas simples que deveriam sim fazer toda diferença.

Poppy é a princesa do reino dos Trolls e precisa salvar seu povo. Ela sai em uma aventura ao lado de Branch, que é totalmente o oposto da maioria dos Trolls. Branch sofreu uma perda e isso mudou completamente a maneira como ele enxerga o mundo.  É um filme que tem a medida certa de humor, amor, amizade e como não devemos abandonar o próximo. Ah, e de cores, muitas cores, o que deixa tudo bem mais lindo de assistir.

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Poppy e Branch, que são dublados por Anna Kendrick e Justin Timberlake (Foto: Divulgação/IMDb)

O contraste entre Poppy e Branch lembra muito como existem as pessoas de fé inabaláveis no mesmo mundo onde estão as pessoas depressivas que não conseguem se quer enxergar uma luz no fim do túnel. Estamos todos aqui, vivendo um dia de cada vez, esperando por seja lá qual for a sentença final. Mas com ajuda, com alguém próximo, podemos ir bem mais longe do que imaginamos.

A produção musical é por conta do Justin Timberlake, que também participa da dublagem do filme junto com Anna Kendrick, Gwen Stefani, Zooey Deschanel, Russel Brand e James Corden. O filme foi lançado outubro do ano passado e está disponível no Telecine Play. A trilha sonora é maravilhosa e para provar que estou certa segue o link do player do Spotify para vocês ouvirem:

https://open.spotify.com/embed/album/65ayND23IInUPHJKsaAqe7

Assista ao trailer:

A Cabana e o fazer justiça com as próprias mãos

A Cabana e o fazer justiça com as próprias mãos

Mack é pai de família. Tem uma esposa religiosa, dois filhos adolescentes e uma menina pequena. Ambos formam a família tradicional que frequenta a igreja todo domingo. De início confesso que fiquei um pouco desanimada, imaginando que toda essa tradicionalidade acabaria me deixando em tédio. Mas o filme conseguiu me fisgar fazendo com que eu abaixasse a guarde e deixasse meus preconceitos de lado. Sim, eu tenho minha fé assim como também tenho um lado cético. Costumo dizer o famoso ditado de que “Jesus é maneiro, o que ferra é o fã clube dele” e é esse fã clube que faz a palavra religião parecer um veneno.

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Foto: Reprodução/Veja

“Religião. A religião é muito trabalho. Eu não quero escravos. Quero amigos, família para compartilhar a vida.” 

Mas gosto de pensar que o filme não é sobre religião, apesar de abordarem o lado cristão da coisa toda, é uma história sobre fé. Mack (Sam Worthington) teve uma infância não muito feliz com um pai que enchia a cara e batia na mãe e nele. Deixar o passado para trás nem sempre é fácil, mas ao conseguir construir uma linda família ele fora capaz de seguir em frente.

Até ter sua filha mais nova assassinada brutalmente. Sem nem ao menos ter o corpo para um velório, tendo que lidar com as evidências de que além de assassinada a pequena Missy também fora estuprada, Mack se torna sombrio e se afasta de todo o restante da família. Mas um bilhete é entregue para mudar essa história e ele retorna a cabana onde encontrou as provas de que sua filha havia sido morta.

“Não importa o que você está fazendo. Você nunca tem que fazer isso sozinho.”

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Jesus (Aviv Alush) e Mack (Sam Worthington) prestes a clássica cena do andar sobre as águas. Refletindo sobre as dificuldades que encontramos na vida e como não temos que enfrentá-las sozinhos. Foto: Reprodução/Veja

A escolha dos atores para cada personagem, até mesmo cada personagem que fora criado no livro escrito por William Young, tudo é perfeitamente perfeito. E me desculpem a redundância. Mas Jesus sendo interpretado por Aviv Alush? A cena dele e Mack andando pela água? Essa coisa de como Deus é quem precisamos que ele seja, a figura de um pai, de uma mãe, colocando a maravilhosa Octavia Spencer vivendo um Deus que gostaríamos muito de conversar e cozinhar? Ficou maravilhoso!

É sobre perdão, redenção e fé mesmo nas circunstâncias ruins. Em certo ponto eu me senti incomodada com toda a questão de deixar a vontade de Deus seguir seu percurso e isso só me mostrou como estamos cada vez mais tentados as justiças feitas com nossas próprias mãos. É complicado. Algumas críticas a respeito do filme abordam que a proposta não gera discussão, que é apenas mais uma propaganda cristã, mas fico me perguntando se elas permitiram que o filme a tocassem ou se começaram a assistir com suas críticas já feitas.

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Mack e Deus, que é interpretado por Octavia Spencer fazendo você querer fazer parte dos diálogos que aconteciam entre ambos. Foto: Reprodução/Veja

“E há bilhões como você… Cada um determinando o que acha que é bom e mal. E quando o teu bom conflita com o mal do teu próximo, procuram argumentos. As guerras explodem. Porque todos insistem em brincar de Deus.”

Incomoda o perdão de Mack. Incomoda não vermos a justiça do homem sendo feita. Mas precisamos tirar essa ideia de que somos nós quem devemos punir. O que é justiça para mim, nem sempre será justiça para o próximo. Imagine como seria se cada um de nós, sem exceção, parasse de sentir-se no poder de julgar alguém, prejudicar alguém…

Eu sei, é difícil simplesmente abandonar esse sentimento de raiva, essa sede por vingança que sempre sentimos diante de injustiças, digo isso por mim, que até hoje não entendo como pessoas boas sofrem nas mãos de pessoas ruins. Acredito que esse tenha sido o ponto que incomodou tanta gente, não é uma tarefa fácil aceitar que nem tudo está em nossas mãos. Mas se desprendermos um pouco dessa questão do que é certo e do que é errado, entenderemos que o filme é justamente para gerar esse debate da sede de violência que estamos sentindo com uma força cada vez maior e de como ela não nos levará para um lugar melhor do que esse que encontramos hoje nos jornais.

Assista ao trailer:

O filme ainda está disponível em alguns cinemas*