Com Amor, Simon | Como as coisas deveriam ser

Com Amor, Simon | Como as coisas deveriam ser

Esses dias assisti Com Amor, Simon e estou até agora encantada com tamanha leveza de filme. Abordou um tema tão importante e de maneira tão leve e gostosa que você nem percebe os minutos passando no cinema. É o tipo de filme na pegada jovem que deveríamos de colocar todos os adolescentes para assistir, afinal, essa fase é tão intensa e complicada que histórias assim nunca são demais.

O filme é inspirado no livro Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli. A história é sobre Simon (Nick Robinson), um adolescente comum e com uma vida normal que vê seu mundo chacoalhar ao ter seu segredo revelado para todos. Depois de ser chantageado, a escola toda descobre que ele é gay e como no próprio filme é dito esse momento deveria ser dele, ele que deveria escolher a hora certa, as pessoas a quem contar primeiro, mas graças a toda essa conectividade, bastou uma postagem anônima em um blog do colégio e pronto, todos estavam sabendo.

filme com amor, simon
Foto: Divulgação/IMDb

É importante e sutil quando mostram Jack (Josh Duhamel), pai de Simon, se desculpando por todas as piadas e comentários que fez durante os quatro anos em que seu filho já sabia que era gay, mas manteve em segredo. Sua mãe, Emily (Jennifer Garnier), falando que sentia ele prendendo o fôlego. Todas essas coisas deveriam de ser espontâneas. O apoio, o carinho, o abraço sincero em aceitar o filho do jeito que é. Complicado quando tudo isso precisa ser inserido cada vez mais em filmes, novelas e séries para que as pessoas entendam ou ao menos tentem entender.

Foi bonito ver a sala de cinema cheia, os pais que levaram os filhos para a sessão, pessoas de todas as idades e gêneros assistindo a um filme adolescente bobo, até então, que pode significar os 10 segundos de coragem insana de alguém para se revelar ao mundo. Não é fácil, para ninguém, os julgamentos sempre acontecerão mas precisamos tentar ser mais solidários com as verdades das pessoas. Está mais do que na hora de aceitá-las.

filme com amor, simon
Nick Robinson que interpreta Simon e Katherine Longford que interpreta sua melhor amiga, Leah ❤ (Foto: Divulgação/IMDb)

“Todos merecem uma grande história de amor”. É lindo demais que tenham fantasiado um pouco nessa história, que seja uma comédia romântica com os clichês que todos temos direitos porque sim, todos temos esse direito. Com Amor, Simon tem uma realidade que de certa forma é diferente da que encontramos ao assistir Me Chame Pelo Seu Nome. Digamos que ele foi feito na medida certa para atingir mais pessoas, apresentar como os adolescentes precisam se unir, mostrar como todos precisamos de uma pequena dose de fantasia para sonharmos acordados.

Aquece o coração saber que estamos vendo temas assim sendo abordados com intensidades diferentes, podendo alcançar pessoas também diferentes. Gosto de pensar que aos poucos não precisaremos ensinar que amor é amor e não uma vergonha. Espero poder ver uma geração capaz de abraçar com sinceridade as pessoas que amam independente do gênero que elas amam. E se você está em dúvida sobre assistir Com Amor, Simon, tire algumas horinhas do seu domingo e vá sem pretensão alguma para se surpreender. Não é só a história, a trilha sonora é gostosa de ouvir, a química entre o elenco é linda de se ver e as atuações estão maravilhosas.

Assista ao trailer:

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Fora de Quinta | Sem Kevin Spacey, Todo o Dinheiro do Mundo tem Christopher Plummer como Getty

Fora de Quinta | Sem Kevin Spacey, Todo o Dinheiro do Mundo tem Christopher Plummer como Getty

Alô, alô, leitores de quinta! Mais um texto Fora de Quinta para vocês. Lembram do filme Todo o Dinheiro do Mundo que seria protagonizado pelo ator Kevin Spacey? Após as denúncias de assédio Spacey foi retirado das filmagens e substituído por Christopher Plummer. É de se pensar como teria sido o sucesso do filme se já não tivessem escalado Plummer ou o escândalo de Spacey não viesse a tona. Pelo menos fica registrado aqui como que ficou o resultado da trama.

filme todo o dinheiro do mundo
Foto: Divulgação/IMDb

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Três Anúncios Para Um Crime | A história sem mocinhos

Três Anúncios Para Um Crime | A história sem mocinhos

Três Anúncios Para Um Crime não é um filme sobre justiça, é sobre o que somos capazes de fazer por ela. Uma história sem mocinhos onde todos parecem ter seu pior lado colocado a prova e também sua parcela de culpa. Foi o meu favorito para vencer na categoria Melhor Filme do Oscar desse ano, perdeu para A Forma da Água na premiação, mas para mim continua sendo o melhor.

Martin McDonagh foi preciso ao dirigir e produzir um roteiro desses que, apesar de não ser baseado em fatos reais, nos mostra um lado bem real que estamos seguindo como sociedade. Vivemos um tempo caótico onde a intolerância está cada vez maior, principalmente, nas redes sociais. Já pararam para pensar como seriam as coisas se todas essas discussões passassem a acontecer no mundo fora da internet? Como seria se cada um de nós fosse atrás de determinado pensamento ignorante e intolerante disfarçado de opinião que vivemos digitando?

filme tres anuncios para um crime
Woody Harrelson que interpreta o xerife Bill Willoughby e Frances McDormand que interpreta Mildred (Foto: Divulgação/IMDb)

Frances McDormand (vencedora pela segunda vez do prêmio de melhor atriz no Oscar)  interpreta Mildred, uma mãe que teve a filha assassinada brutalmente e que busca por respostas e culpados. Woody Harrelson interpreta o xerife Bill Willoughby, que está prestes a se aposentar e chegar ao fim da vida devido ao câncer. Sem nenhuma pista sobre quem possa ter cometido o crime, a cidade se torna uma arena de jogo de gato e rato onde não conseguimos identificar quem é o vilão e mocinho.

Tudo começa quando Mildred desafia a polícia de sua cidade colocando anúncios, ou melhor especificando, três cartazes com frases que questionam o assassinato de sua filha e nenhum culpado sendo preso pelo crime. Um ato desesperado que surte efeito não só para a polícia, mas para todos os moradores da cidade que voltam a acompanhar o caso e tentam escolher qual o lado certo dessa trágica situação.

critica do filme tres anuncios para um crime
(Foto: Divulgação/IMDb)

Sam Rockwell (também vencedor de um Oscar nesse ano na categoria Melhor Ator Coadjuvante) interpreta um policial meio fora dos trilhos, Jason Dixon e nos mostra como nem sempre estamos certos diante de nossos julgamentos. Acontece diariamente em nossas vidas reais. Acontece praticamente com todos os personagens de Três Anúncios Para Um Crime, quando os julgamos e percebemos que o diretor quer nos mostrar que não temos esse poder que achamos ter em apontar sempre para o certo e errado da trama.

Li que algumas pessoas não curtiram o final, eu já achei um dos melhores desfechos. Desde o início somos avisados do que estamos assistindo, durante o filme os diálogos e cenas já nos direcionam para uma aceitação de que essa história não será tão simples quanto pensamos. É preciso um pouco mais de clareza para compreender e aceitar que tudo tenha terminado do jeito que terminou. Espero que vocês consigam compreender o valor dessa genialidade de filme. E me chamem, claro, para conversar sobre ele depois. Tenho certeza de vão querer desabafar sobre tudo que assistiram.

Assistam ao trailer:

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Veredicto de Quinta | Os indicados a Melhor Filme no Oscar

Veredicto de Quinta | Os indicados a Melhor Filme no Oscar

Domingo é a 90ª edição do Oscar, a maior premiação do cinema! Esse ano finalmente cumpri com um desafio que sempre fiz a mim mesma, mas que nunca conseguia colocar em prática: Assistir todos os indicados a categoria de Melhor Filme! Sinto uma pontinha de orgulho por ter conseguido assistir todos os longas, assim tenho maior clareza na hora da premiação e me sinto capaz de opinar (beijos, Glória Pires, a internet te ama e eu também!) ou pelo menos apta a escolher o meu favorito nessa edição.

Não posso falar pelas edições anteriores, porque nunca conseguia assistir todos os indicados, mas esse ano a categoria está bem diversificada, temos nela oito filmes com roteiros distintos. Sempre bom lembrar que o Melhor Filme do Oscar pode não ser o melhor filme para você e que as premiações existem, mas, como gosto de falar, o gosto continua particular e de cada um. Esteja preparado, caro leitor de quinta, para se decepcionar ou se apaixonar.

oscar 2018
Foto: Divulgação/Creative Commons

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Dunkirk | A obra-prima de Christopher Nolan

Dunkirk | A obra-prima de Christopher Nolan

Com oito indicações ao Oscar 2018, incluindo de melhor filme e direção, gostaria de reafirmar o título dessa resenha: Dunkirk é a obra-prima de Christopher Nolan! Sou fã do diretor, principalmente pela trilogia do Batman e também por seu trabalho em A Origem e Interestelar. Estou até agora sem palavras para descrever o quão talentoso esse homem foi em escrever e dirigir esse longa. Para mim, um dos melhores filmes de guerra já produzidos.

critica filme dunkirk
Foto: Divulgação/IMDb

Eu sei que estou sendo pretensiosa, mas estou falando de uma produção sem falhas visualmente e sonoramente falando. Mesmo sendo narrada em um cenário completamente caótico que foi a Segunda Guerra Mundial, Dunkirk atingiu seu ápice em efeitos sonoros e visuais. Não consegui desgrudar os olhos da história que estava sendo contada, não consegui não me emocionar ao final quando as peças, aos poucos, começaram a se encaixar. Sabemos que o som de guerra não é algo tão difícil assim de fazer, mas o que Nolan conseguiu em Dunkirk é hipnotizante.

A trama é sobre o resgate de quase 400 mil homens que estavam presos em Dunquerque conforme a Alemanha avançava na Segunda Guerra Mundial. A força aérea e marítima estava sendo massacrada pelos nazistas, dificultando cada vez mais o resgaste dos homens que serviam não só a Inglaterra, mas também França, Holanda e Bélgica.

critica filme dunkirk
Foto: Divulgação/IMDb

São três histórias que acompanhamos. A praia, onde o forte de resgaste é constantemente atacado pelas tropas alemãs e milhares de soldados esperam por ajuda. O barco de passeio do civil que decidi honrar a causa e velejar até Dunquerque para salvar os soldados. O avião caça míssil que está em ataque e precisa abater os inimigos alemães antes que eles destruam mais navios. Isso com cada história sendo narrada em um tempo diferente e criando uma ligação uma com a outra aos passar das cenas. Pode parecer um pouco confuso, eu admito, mas Nolan consegue ligar esses três momento com maestria.

O elenco masculino é de peso e as atuações estão incríveis. Mesmo os personagens não sendo tão aprofundados, o filme desde o início deixa claro que seu ponto forte é a ação que cada um terá na história, não o que cada um é e foi antes da guerra. Tom Hardy é o piloto Farrier. Mark Rylance é Dawson, o dono do barco. Fionn Whitehead é Tommy, o jovem soldado que tenta voltar para casa.

critica dunkirk
Foto: Divulgação/IMDb

Alguns lados são expostos, quando a humanidade de cada um é colocada a prova em específicas situações, mostrando quão complexas as consequências da guerra podem ser para cada um que vivencia essa tragédia. Nolan consegue mostrar parte do desespero que deve ser estar na linha de frente de ataque, estando constantemente correndo o risco de ser bombardeado. Nem sempre existe honra na guerra e Dunkirk consegue expor esses dois lado da moeda com sutileza.

Encontrei pessoas comentando que o filme é mais do mesmo e que não tem nada de surpreendente. Quando leio algo do tipo sempre me pergunto se é possível que estejamos falando do mesmo longa. Mas não tem jeito, uma obra-prima sempre será vista como uma simples história por alguém e vice-versa. Posso ter escrito esse post como uma fã de carteirinha do diretor, mas gostaria, de verdade, que se você ainda não assistiu a esse filme, por favor, assista. Nunca se sabe quando uma produção será ou não grandiosa e Dunkirk merece a chance.

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A Origem dos Guardiões e a magia em acreditar

A Origem dos Guardiões e a magia em acreditar

Eu sei, a gente cresce e descobre que Coelhinho da Páscoa não existe, Papai Noel foi invenção, fada dos dentes na verdade eram nossos pais colocando dinheiro enquanto dormíamos (isso quando só não mandavam a gente jogar o dentinho no telhado e esperar por uma aparição milagrosa), mas é tão importante acreditarmos! Hoje em dia as crianças crescem cada vez mais rápido, com um smartphone por perto fica difícil não perguntar ao Google se Papai Noel realmente existe. Mas, vou repetir, é importante acreditarmos!

“Você deixa de acreditar na lua quando o sol nasce?”

filme a origem dos guardioes
Sandman, Coelhão, Papai Noel, Fada do Dente e Jack Frost (Foto: Divulgação/IMDb)

Se não for nos guardiões que zelam pelas crianças, é em algo que temos em mente. Cada um, de um jeito ou de outro, tem sua fé, se não em seres e forças e bigbangs, cada um precisa ter fé e acreditar em si mesmo, na família, nos amigos, na própria vida que vive todo dia ao acordar pela manhã. Sinto que sempre existirá alguma coisa em que temos que acreditar e A Origem dos Guardiões mostra isso de todas as maneiras.

Jack Frost não acreditava e nem tinha fé em si mesmo. Depois de tantos anos, não fazia ideia de quem era, não lembrava de quem tinha sido em sua vida passada… Quantos de nós não esquece aquela pequena parte de si e acaba deixando de se reconhecer no espelho? Quantos de nós já perdeu a fé em si próprio e deixou de acreditar que era capaz de algo? Quantos de nós ainda está sem rumo? Sem saber o que fazer?

desenho a origem dos guardiões
Jack Frost é um dos meus personagens preferidos! (Foto: Divulgação/IMDb)

O Papai Noel, o Coelhão, a Fada do Dente, todos eles perdem seus poderes quando as crianças deixam de acreditar. Reflete muito como também perdemos nossos poderes quando somos desacreditados, seja pelas pessoas ou pela própria vida que não é fácil e vire e mexe gosta de provar isso. É sempre difícil quando não acreditam em nós.

“Deixa de acreditar no sol quando o céu está nublado?”

Sandman é o grande responsável pelos sonhos, ele que ilumina a noite com seus raios de luz. Em contra partida, Breu é o bicho papão, o temido monstro que fica mais forte conforme as crianças sentem medo. É uma dose de coragem quando cada pequeno decide encarar o Breu, admiti que ele existe, mas perde o medo dele. Nem preciso dizer que deveríamos admitir nossos medos, para assim, tentarmos superá-los, certo? Certo.

filme a origem dos guardiões
Um Papail Noel todo tatuade e um Coelho da Páscoa gigante é demais pra nossa imaginação ❤ (Foto: Divulgação/IMDb)

É uma maneira linda de enxergar as crianças, de mostrar a elas o quanto são importantes. Tenho muito medo em ver toda modernização que acontece hoje em dia, mas fico feliz por ainda existirem os desenhos, principalmente, esses parecidos com os guardiões. As crianças são tudo que temos para o futuro e mesmo não existindo Fada do Dente, Coelhão ou Jack Frost, somos nós os guardiões delas, somos nós, quem devemos protegê-las e ensiná-las de que o medo é algo que sempre teremos que vencer. E que nessa vida, faz bem acreditarmos em algo bom, em manter o coração com esperança, em pensar que no futuro todos nós seremos nossos próprios guardiões.

Sei que é sempre uma viagem quando coloco em palavras certos pensamentos meus. Mas espero que assistam A Origem dos Guardiões com outros olhos e façam seus filhos, primos, sobrinhos, enteados, enfim, suas crianças, se encantarem com essa mágica história. A magia pode não existir para nós, adultos e adolescentes, mas o encanto precisa ser preservado, existem tantas coisas mágicas nesse mundo que ainda devemos acreditar.

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Fora de Quinta | “Corra!” e a desconstrução do estereótipo do filme do Oscar

Fora de Quinta | “Corra!” e a desconstrução do estereótipo do filme do Oscar

Alô, alô, leitores de quinta! Vocês devem ter percebido algo de diferente nesse meu título, então irei explicar. “Fora de Quinta” serão posts com opiniões, críticas e resenhas de filmes, livros e séries, mas escritos por outra pessoa. Estarei cedendo um espaço aqui no Escritora de Quinta para divulgar bons textos que vocês também irão gostar de conhecer e ler. Ou não. Ou sim. Quem lê minhas resenhas sabe que as variáveis são muitas.

O texto abaixo foi escrito pelo cineasta Daniel Bydlowski para o Portal IG. Uma boa reflexão sobre os filmes indicados e vencedores do Oscar.

Lembro quando o filme Jogos Mortais estreou em 2004, dando arrepios no público do começo ao fim. Não somente este filme ofereceu aquilo que os amantes do gênero buscam, o medo, mas também terminou com um final surpreendente que muitos não esperavam. Saindo do cinema, era possível ouvir os espectadores dizendo que o longa merecia ser indicado ao Oscar.

Considerações sobre o sucesso ou a qualidade do filme à parte (a franquia de Jogos Mortais continua viva ainda hoje), se nem mesmo Psicose, que é um clássico do cinema de horror dirigido por Alfred Hitchcock, conseguiu a estatueta, fica difícil imaginar que Jogos Mortais teria qualquer chance. Isto porque o Oscar dava preferência não a filmes de horror ou comédia, mas sim ao drama, especialmente se o enredo também contasse com um tom histórico que levasse a plateia a tempos passados.

corra! indicado ao oscar
Daniel Kaluuya interpreta Chris Washington (Foto: Divulgação/IMDb)

Mesmo com certas exceções, o gênero do horror parecia não ter chance… até hoje. Corra!, dirigido por Jordan Peele, já faz parte da previsão de quais filmes terão mais chance de concorrer, algo muito difícil de acontecer anos atrás. Mas, por que agora? Quais são as razões por trás destas mudanças?

Alguns críticos dizem que a presença de Corra! no Oscar é baseada em mudanças políticas, já que a trama central do filme é fundamentada em um afrodescendente seduzido e sequestrado por uma família maníaca que tem como objetivo algo não muito longe de uma ficção científica (para não dar nenhum spoiler).

Porém, a presença de gêneros antigamente ignorados pela academia vai muito além da política ou da própria constituição de seus jurados (que vem mudando nos últimos tempos) e vai até o próprio mercado cinematográfico.

IMDb
Cena do filme Corra! (Foto: Divulgação/IMDb)

Mesmo antes da internet, o mercado de nicho já era mais do que conhecido por empresários e marqueteiros. Porém, com a internet e as mídias sociais, ficou não somente mais fácil de defini-los, mas como também impossível de ignorá-los. As mídias sociais focam a atenção no indivíduo e em seu grupo específico, sendo quase, senão o total, oposto da mídia tradicional, que era idealmente esquematizada para a população em geral.

O próprio cinema começa então a se fragmentar para dar atenção a grupos menores e específicos, especialmente quando serviços de streaming de vídeo fazem sucesso por conseguir personalizar os gostos pessoais de cada um de modo automático pelo logaritmo de seus sites. Até mesmo Chris Rock, apresentando o Oscar de 2016, usou esta fragmentação como comédia quando entrevistou afrodescendentes que nunca tinham ouvido falar dos filmes nomeados à premiação daquele ano. Porém, quando perguntava de Straight Outta Compton: A História do N.W.A., filme sobre afrodescendentes, os mesmos respondentes imediatamente reconheciam o título, embora este não tenha sido nomeado. Mesmo que esta entrevista tenha sido planejada como uma piada, ela aponta para esta fragmentação no gosto dos espectadores que vem acontecendo nos últimos tempos.

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Jordan Peele, diretor de Corra! no set de filmagens (Foto: Divulgação/IMDb)

No ponto de vista do Oscar, qual a importância histórica de um filme que, embora feito para o público moderno de gostos fragmentados, agrada a população em geral e bate vários recordes de bilheteria?

É a habilidade de atrair interesses tão diferentes que faz com que seja natural falar de Corra! como um potencial participante do Oscar, mesmo quando os gêneros do horror, comédia e ficção cientifica (todos fazendo parte de Corra!) eram antes colocados em segundo lugar pelo drama.

Assista ao trailer:

Todas as fotos do filme Corra! usadas nesse post estão sob licença do site IMDb*

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Sobre o autor do texto: Daniel Bydlowski é cineasta brasileiro e artista de realidade virtual com Masters of Fine Arts pela University of Southern California e doutorando na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. É membro do Directors Guild of America. Trabalhou ao lado de grandes nomes da indústria cinematográfica como Mark Jonathan Harris e Marsha Kinder em projetos com temas sociais importantes. Seu filme NanoEden, primeiro longa em realidade virtual em 3D, estreia em breve.

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Bright | Filme original Netflix é bom, mas…

Bright | Filme original Netflix é bom, mas…

Digamos que Bright seja esse filme que assistimos, gostamos, mas… É aquela trama que deixa a sensação de que algo ficou faltando. Por ser um universo completamente desconhecido, senti que o roteiro ficou corrido e algumas pontas soltas ficaram largadas durante as cenas.

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Tikka (Lucy Fry) é uma aprendiz a Bright, uma iluminada capaz de lançar magias (Foto: Divulgação/Netflix)

Will Smith e Joel Edgerton estão ótimos juntos, Ward e Nick, seus personagens, são os policiais rejeitados do pelotão que acabam se envolvendo em uma loucura. Ambos enfrentam dificuldades no trabalho após um tiroteio sem nenhum bandido preso. O mundo está diferente, dividido entre espécies humanas, elfos e orcs. A rivalidade só aumenta quando Nick Jakoby é o primeiro orc a tornar-se policial, trabalhando como parceiro de Scott Ward, um oficial que não está no melhor momento de sua carreira.

Nesse mundo, os elfos são uma espécie de soberania, classe A, enquanto orcs são como se fossem a classe C e os humanos ficassem ali no meio entre ambos os lados. Algumas lacunas sobre como o mundo passou a ter essa divisão e que batalha foi travada para que cada lado ganhasse seu devido posto ficam sem respostas.

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Will Smith e Joel Edgerton, Ward e Nick, a dupla policial que deu certo (Foto: Divulgação/IMDb)

Talvez, em sua sequência, possamos entender mais sobre isso e o grande Senhor das Trevas que é a suposta ameaça da história. Existe um grupo, Illuminaris, que pretende trazer esse deus de volta e os dias de juízo final também, mas, até então, esse lado sombrio de Bright não fora tão explorado.

É um bom entretenimento, cumpre o papel de ficção e fantasia com uma produção e caracterização de primeira. A trilha sonora está perfeita, Broken People, que toca no início do filme, está na minha playlist. Um novo universo que se for bem explorado, poderá conquistar um bom espaço na Netflix. São elfos, gente, magia, fadas irritantes e que ninguém gosta, além de clãs de orcs entre os humanos. É história para ser contada em mais de duas horas.

Talvez por isso a impressão que fique seja essa, o filme é bom, mas… Vamos torcer para que na sequência, já confirmada pela Netflix, possamos ter algumas das respostas que ficaram pendentes nessa história, ela tem potencial, só nos resta aguardar e torcer pela produção.

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Um Senhor Estagiário | Você está preparado para a sua aposentadoria?

Um Senhor Estagiário | Você está preparado para a sua aposentadoria?

Eu sei, ninguém merece esse tipo de pergunta. Dependendo da sua idade e da crise que você se encontra, o assunto aposentadoria pode mexer muito com a sua cabeça. Mas, normalmente, quando pensamos nessa fase da vida, pensamos em descanso, finalmente curtir os dias sem precisar trabalhar, algum retiro para a terceira idade, viagens… Mas será que a coisa funciona assim para todos?

filme um senhor estagiario
Robert De Niro é aquele tio/vô que todo mundo gostaria de ter na família ❤ (Foto: Divulgação/IMDb)

Ben (Robert De Niro) tem 70 anos, é viúvo, já gastou todas as milhas que podia em viagens, faz ioga, aprendeu mandarim, fez curso de culinária, tentou ser útil em sua própria vida, mas nada disso pareceu suficiente. É estranho pesarmos isso agora, só que depois de anos trabalhando, vivendo um rotina sistemática e lidando com tarefas, será que conseguiremos parar? Simplesmente estacionar e aceitar que não temos mais nenhum trabalho às sete da manhã?

Para mim, de coração, isso parece super fácil. Tranquilo. Vamos lá! Mas na realidade, quando estiver realmente vivenciando esse fim da jornada de trabalho, fico pensando se conseguirei desligar. É complicado largar a rotina assim e se acostumar em fazer nada, por mais absurdo que isso pareça agora. Como o próprio Ben diz no filme, começam os enterros, muitos deles, e a sensação em fazer o necessário, em ser útil, em fazer algo que signifique e valorize o seu tempo, começa a ser como uma emergência para si mesmo.

filme um senhor estagiario
Amei Anne Hathaway e De Niro juntos e irei protegê-los! (Foto: Divulgação/IMDb)

Um Senhor Estagiário nos mostra exatamente como é para o Ben ter a oportunidade em voltar a uma rotina de trabalho. Achei linda essa iniciativa que realmente existe em algumas empresas. Os tantos senhores estagiários que existem na vida real têm muito a nos ensinar, e ainda podem aprender também! O contraste de Ben com os novatos ainda cursando faculdade é sensacional.

Agora o outro lado do filme que também agrada é Jules Ostin, personagem de Anne Hathaway. Uma mulher de negócios, criadora de um gigantesco e-commerce, ela mostra uma troca de papel que vem acontecendo muito hoje em dia (graças a Deus) ao assumir as rédeas das finanças da casa e trabalhar duro em cima de sua loja online. Seu amor é o “dono de casa”, o marido do século 21, perfeito demais para ser verdade. Mas juntos, eles cuidam do casamento e de sua pequena filha.

um senhor estagiario
A família do século 21 (Foto: Divulgação/IMDb)

Julgamentos a parte, a história nos mostra como as coisas nem sempre são como são. Como as dificuldades e obstáculos podem ser superados, sem necessariamente virarmos uma página para trás. Nancy Meyers, diretora e roteirista dessa produção, nos mostra, com aquele humor bem gostoso de acompanhar, como a vida real e o cotidiando ainda podem render ótimos temas e histórias para os filmes. Ou vai dizer que estágio durante a aposentadoria é algo velho demais para virar produção cinematográfica?

Assista ao trailer:

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O Touro Ferdinando | Um filme para as crianças questionarem os adultos

O Touro Ferdinando | Um filme para as crianças questionarem os adultos

Esse final de semana fui assistir O Touro Ferdinando com meus sobrinhos menores, para quem não sabe, tenho 942735328 sobrinhos, mentira, na verdade são apenas quatro e gosto bastante de assumir que fui a responsável por levar todos eles pela primeira vez no cinema! Dessa vez foi o mais novo, de três anos, que ficou na expectativa quando as luzes se apagaram e me perguntou curioso “vai começar, Tati?”. O outro pequeno, de quatro aninhos, já tinha assistido Meu Malvado Favorito e sabia o que estava acontecendo: “primeiro são os trailers!”.

filme o touro ferdinando
Imagine um touro dentro de uma loja de porcelana… (Foto: Divulgação/IMDb)

Passado os trailers e pedidos de “vamos ver esse? Depois esse? E esse também de novo?”, somos apresentados a infância de Ferdinando, enquanto desde pequeno ele nos mostra como é diferente dos outros touros. Sensível e contra todo tipo de violência, Ferdinando é apaixonado por flores e prestativo com todos os seus colegas de pasto, mesmo aqueles que querem o obrigar a ser como eles.

A história, de um jeito bem sútil, é um questionamento sobre as touradas que ainda acontecem na Espanha, colocando os animais em situações precárias, incluindo o abatedouro quando o animal não consegue atingir as expectativas esperadas. Não estou dizendo que é um filme que te fará virar vegetariano e correr para as ruas de Madrid protestar contra a triste tradição espanhola, mas é uma trama que te faz pensar um pouco no assunto, principalmente se seu sobrinho de quatro anos vira para você e pergunta o que é um abatedouro.

critica o touro ferdinando
(Foto: Divulgação/IMDb)

Por isso digo que é um filme para as crianças nos questionarem. Até um touro criado em laboratório é personagem. E Carlos Saldanha realmente sabe como dirigir esse tipo de coisa, afinal, Rio nos mostra a extinção de animais e o modo como eles são traficados em nossa sociedade. A Era do Gelo é sobre a história do mundo antes de chegarmos nele. Não me olhem com essa cara estranha, não estou sendo esquisita, estou apenas mostrando outro lado das animações que geralmente não prestamos atenção. O Touro Ferdinando é inspirado nos livros de Munro Leaf, lançados em 1936, para vocês verem como esse assunto não é tão novo assim.

É bonito como podemos incluir esses temas para nossas crianças já crescerem sabendo de algumas coisas. Podendo questionar certos assuntos. A história também é inspiradora para sermos nós mesmos, não perdermos nossa essência independente do que as pessoas insistem em nos dizer. Meu sobrinho mais novo ficou encantado, ele tem uma paixão por animais, ficava o tempo todo falando o quanto tinha adorado o filme sem o filme nem ter acabado ainda e chorou quando o Ferdinando, espera, não posso dar spoiler. Mas o outro, um ano mais velho, já conseguia me questionar mais e em certo momento perguntou porque o pai do Ferdinando era frouxo.

critica filme o touro ferdinando
O tanto que a gente se divertiu no cinema vendo esse time junto (Foto: Divulgação/IMDb)

Como Ferdinando se recusava a lutar e cometer violência com quem quer que fosse, os outros touros acabavam o apelidando de frouxo, fraco e insistindo que o mundo não era um lugar para sensibilidade, que ele não duraria muito por aqui. Vamos combinar, hoje em dia, nossas crianças estão crescendo nesse tipo de atmosfera, ainda no contexto de que chorar é coisa de gente fraca. Infelizmente ainda levam certa brutalidade como referência a força e o contrário dela uma triste fraqueza. O pai de Ferdinando é escolhido para ir a arena e não retorna para casa, pois quem ganhou foi o toureiro e desse jeito Ferdinando entende mais ainda que essa é uma luta sem chances de vencer.

Durante a sessão eu ouvia a sala inteira do cinema gargalhando, de verdade, as risadas das crianças em certas cenas eram contagiantes, incluindo as dos meus sobrinhos. Pude ver certos pais tentando acalmar os filhos de que as coisas iriam ficar bem. Eu chorei, não vou mentir e tive que engolir o choro para meu sobrinho não abrir o berreiro no meio do cinema e termos que ser expulsos. Se eu pudesse, chegaria em cada pessoa e pediria para que ela levasse aquela criança querida que existe por perto ou na família, e passasse um tempinho no cinema com ela. O Touro Ferdinando é sensível, engraçado, lindo para nossos olhos e encantador para nossos corações. Os pequenos saem do cinema apaixonados e os adultos também. O filme estreou no dia 11 de janeiro e ainda está em cartaz em alguns cinemas, corra para assistir!

Trailer dublado:

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