Dica Netflix | Nerve – Um jogo sem regras

Dica Netflix | Nerve – Um jogo sem regras

Um suspense disponível na Netflix que traz a temática adolescente com um trágico fundo de realidade

Vamos lá, primeiramente gostaria de esclarecer que se você é adolescente, meu amor, essa sensação de imortalidade não te pertence e se você fizer merda, no português mais claro da coisa, você vai se lascar. Todos nós já tivemos essa fase e alguns ainda estão nela, essa necessidade em provar algo, ter algo, ser algo que a maioria das pessoas julgam ser o correto nem sempre fica para trás com a maior idade.

filme nerve netflix
Vee (Emma Roberts) prestes a ser colocada contra a parede por nunca se arriscar em nada (Foto: Divulgação/IMDb)

Nerve nos mostra um jogo parecido com o “Verdade ou Desafio” que conhecemos só que online, sem verdades e o desafio digamos que não será só dar um selinho em alguém. Com milhares de pessoas acessando e falando sobre isso, é quase como se La Casa de Papel tivesse estreado e você ainda não tivesse assistido. Ao acessar o jogo te dão duas opções: jogador ou observador.

Voltando a parte da necessidade em provar algo que quase sempre sentimos, é aqui que temos o grande lance inicial da trama: Vee (Emma Roberts). A adolescente nerd que se vê em atrito com sua melhor amiga e decide mostrar que é mais do que todos pensam que ela é. Ao entrar como jogadora ela acaba conhecendo Ian (Dave Franco) e juntos eles precisam cumprir uma sequência de desafios bem fofa para reviver os desejos adolescentes incubados dentro de nós (te falar que James Franco era minha paixão, mas o irmão dele é tão maravilhoso quantOPA, me empolguei aqui, desculpem, voltamos com o post).

filme nerve um jogo sem regras
Ian (Dave Franco) e Vee (Emma Roberts). Sim, na maior parte do filme quando Dave Franco aparecia eu ficava com essa mesma carinha da Vee na foto, não deu para controlar (Foto: Divulgação/IMDb)

A coisa toda começa a esquentar e os desafios começam a ficar perigosos. A aflição com todas as pessoas e observadores com o celular ligado e filmando tudo que estava acontecendo foi grande, principalmente, porque hoje nós estamos exatamente assim. Não é preciso um jogo online para provar esse nosso lado observador, por mais trágica que seja a situação sempre terá alguém com um celular na mão filmando ao invés de tentar ajudar, impedir ou fazer algo. É triste. É trágico. É real.

Acredito que por estarmos sempre online, nosso senso humanitário (ou seria solidário?) está cada vez menor. Os jogadores começam se colocando em situações ridículas, interessados em aumentar o número de visualizações e atrair mais observadores, depois aceitam desafios perigosos e espanta como você mesmo ao assistir o filme vai ficando mais interessado. Somos atraídos a uma enorme ratoeira sem nem perceber direito. E não são apenas visualizações, seguidores e likes, o jogo oferece dinheiro. É quase como se o YouTube decidisse citar as regras e temas para seus vídeos. Sim, já existem aqueles que fazem desafios e é claro que eles estão nessa exatamente pela “fama online” e dinheiro que pode vir com ela. Mas no jogo é diferente, ele instiga o jogador ao máximo e no seu limite.

nerve filme
“Os Observadores irão te encontrar” (Foto: Divulgação/IMDb)
filme nerve um jogo sem regras
“Desafio completo” (Foto: Divulgação/IMDb)

Assusta um pouco pensar que estamos todos online no NERVE como meros observadores. O filme é importante para essa geração que está crescendo com a internet, senti falta de um clima um pouco mais pesado, pelo assunto e a proximidade que ele tem com a realidade, devia ser mais sombrio, mas talvez se fosse assim não atingiria o público principal que ele precisa atingir. Espero que possamos todos criar certa consciência desse caminho que estamos tomando, é perigoso mesmo não tendo nenhum hacker te ameaçando (ainda).

O filme é dirigido por Ariel Schulman e Henry Joost. Baseado no livro de Jeanne Ryan, confesso que fiquei curiosa para saber mais sobre a história, mesmo gostando da produção e adorando o clima néon que deram nas cenas quero saber como é o resultado original da trama. No elenco também temos Miles Heizer (13 Reasons Why), Samira Wiley (Orange is the New Black) e Emily Meade (The Leftovers).

Assista ao trailer:

Até a data desse post o filme encontra-se disponível na Netflix*

Todas as fotos usadas estão sob licença do site IMDb*

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Três Anúncios Para Um Crime | A história sem mocinhos

Três Anúncios Para Um Crime | A história sem mocinhos

Três Anúncios Para Um Crime não é um filme sobre justiça, é sobre o que somos capazes de fazer por ela. Uma história sem mocinhos onde todos parecem ter seu pior lado colocado a prova e também sua parcela de culpa. Foi o meu favorito para vencer na categoria Melhor Filme do Oscar desse ano, perdeu para A Forma da Água na premiação, mas para mim continua sendo o melhor.

Martin McDonagh foi preciso ao dirigir e produzir um roteiro desses que, apesar de não ser baseado em fatos reais, nos mostra um lado bem real que estamos seguindo como sociedade. Vivemos um tempo caótico onde a intolerância está cada vez maior, principalmente, nas redes sociais. Já pararam para pensar como seriam as coisas se todas essas discussões passassem a acontecer no mundo fora da internet? Como seria se cada um de nós fosse atrás de determinado pensamento ignorante e intolerante disfarçado de opinião que vivemos digitando?

filme tres anuncios para um crime
Woody Harrelson que interpreta o xerife Bill Willoughby e Frances McDormand que interpreta Mildred (Foto: Divulgação/IMDb)

Frances McDormand (vencedora pela segunda vez do prêmio de melhor atriz no Oscar)  interpreta Mildred, uma mãe que teve a filha assassinada brutalmente e que busca por respostas e culpados. Woody Harrelson interpreta o xerife Bill Willoughby, que está prestes a se aposentar e chegar ao fim da vida devido ao câncer. Sem nenhuma pista sobre quem possa ter cometido o crime, a cidade se torna uma arena de jogo de gato e rato onde não conseguimos identificar quem é o vilão e mocinho.

Tudo começa quando Mildred desafia a polícia de sua cidade colocando anúncios, ou melhor especificando, três cartazes com frases que questionam o assassinato de sua filha e nenhum culpado sendo preso pelo crime. Um ato desesperado que surte efeito não só para a polícia, mas para todos os moradores da cidade que voltam a acompanhar o caso e tentam escolher qual o lado certo dessa trágica situação.

critica do filme tres anuncios para um crime
(Foto: Divulgação/IMDb)

Sam Rockwell (também vencedor de um Oscar nesse ano na categoria Melhor Ator Coadjuvante) interpreta um policial meio fora dos trilhos, Jason Dixon e nos mostra como nem sempre estamos certos diante de nossos julgamentos. Acontece diariamente em nossas vidas reais. Acontece praticamente com todos os personagens de Três Anúncios Para Um Crime, quando os julgamos e percebemos que o diretor quer nos mostrar que não temos esse poder que achamos ter em apontar sempre para o certo e errado da trama.

Li que algumas pessoas não curtiram o final, eu já achei um dos melhores desfechos. Desde o início somos avisados do que estamos assistindo, durante o filme os diálogos e cenas já nos direcionam para uma aceitação de que essa história não será tão simples quanto pensamos. É preciso um pouco mais de clareza para compreender e aceitar que tudo tenha terminado do jeito que terminou. Espero que vocês consigam compreender o valor dessa genialidade de filme. E me chamem, claro, para conversar sobre ele depois. Tenho certeza de vão querer desabafar sobre tudo que assistiram.

Assistam ao trailer:

Todas as fotos utilizadas no post estão sob licença do site IMDb*

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