O Touro Ferdinando | Um filme para as crianças questionarem os adultos

O Touro Ferdinando | Um filme para as crianças questionarem os adultos

Esse final de semana fui assistir O Touro Ferdinando com meus sobrinhos menores, para quem não sabe, tenho 942735328 sobrinhos, mentira, na verdade são apenas quatro e gosto bastante de assumir que fui a responsável por levar todos eles pela primeira vez no cinema! Dessa vez foi o mais novo, de três anos, que ficou na expectativa quando as luzes se apagaram e me perguntou curioso “vai começar, Tati?”. O outro pequeno, de quatro aninhos, já tinha assistido Meu Malvado Favorito e sabia o que estava acontecendo: “primeiro são os trailers!”.

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Imagine um touro dentro de uma loja de porcelana… (Foto: Divulgação/IMDb)

Passado os trailers e pedidos de “vamos ver esse? Depois esse? E esse também de novo?”, somos apresentados a infância de Ferdinando, enquanto desde pequeno ele nos mostra como é diferente dos outros touros. Sensível e contra todo tipo de violência, Ferdinando é apaixonado por flores e prestativo com todos os seus colegas de pasto, mesmo aqueles que querem o obrigar a ser como eles.

A história, de um jeito bem sútil, é um questionamento sobre as touradas que ainda acontecem na Espanha, colocando os animais em situações precárias, incluindo o abatedouro quando o animal não consegue atingir as expectativas esperadas. Não estou dizendo que é um filme que te fará virar vegetariano e correr para as ruas de Madrid protestar contra a triste tradição espanhola, mas é uma trama que te faz pensar um pouco no assunto, principalmente se seu sobrinho de quatro anos vira para você e pergunta o que é um abatedouro.

critica o touro ferdinando
(Foto: Divulgação/IMDb)

Por isso digo que é um filme para as crianças nos questionarem. Até um touro criado em laboratório é personagem. E Carlos Saldanha realmente sabe como dirigir esse tipo de coisa, afinal, Rio nos mostra a extinção de animais e o modo como eles são traficados em nossa sociedade. A Era do Gelo é sobre a história do mundo antes de chegarmos nele. Não me olhem com essa cara estranha, não estou sendo esquisita, estou apenas mostrando outro lado das animações que geralmente não prestamos atenção. O Touro Ferdinando é inspirado nos livros de Munro Leaf, lançados em 1936, para vocês verem como esse assunto não é tão novo assim.

É bonito como podemos incluir esses temas para nossas crianças já crescerem sabendo de algumas coisas. Podendo questionar certos assuntos. A história também é inspiradora para sermos nós mesmos, não perdermos nossa essência independente do que as pessoas insistem em nos dizer. Meu sobrinho mais novo ficou encantado, ele tem uma paixão por animais, ficava o tempo todo falando o quanto tinha adorado o filme sem o filme nem ter acabado ainda e chorou quando o Ferdinando, espera, não posso dar spoiler. Mas o outro, um ano mais velho, já conseguia me questionar mais e em certo momento perguntou porque o pai do Ferdinando era frouxo.

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O tanto que a gente se divertiu no cinema vendo esse time junto (Foto: Divulgação/IMDb)

Como Ferdinando se recusava a lutar e cometer violência com quem quer que fosse, os outros touros acabavam o apelidando de frouxo, fraco e insistindo que o mundo não era um lugar para sensibilidade, que ele não duraria muito por aqui. Vamos combinar, hoje em dia, nossas crianças estão crescendo nesse tipo de atmosfera, ainda no contexto de que chorar é coisa de gente fraca. Infelizmente ainda levam certa brutalidade como referência a força e o contrário dela uma triste fraqueza. O pai de Ferdinando é escolhido para ir a arena e não retorna para casa, pois quem ganhou foi o toureiro e desse jeito Ferdinando entende mais ainda que essa é uma luta sem chances de vencer.

Durante a sessão eu ouvia a sala inteira do cinema gargalhando, de verdade, as risadas das crianças em certas cenas eram contagiantes, incluindo as dos meus sobrinhos. Pude ver certos pais tentando acalmar os filhos de que as coisas iriam ficar bem. Eu chorei, não vou mentir e tive que engolir o choro para meu sobrinho não abrir o berreiro no meio do cinema e termos que ser expulsos. Se eu pudesse, chegaria em cada pessoa e pediria para que ela levasse aquela criança querida que existe por perto ou na família, e passasse um tempinho no cinema com ela. O Touro Ferdinando é sensível, engraçado, lindo para nossos olhos e encantador para nossos corações. Os pequenos saem do cinema apaixonados e os adultos também. O filme estreou no dia 11 de janeiro e ainda está em cartaz em alguns cinemas, corra para assistir!

Trailer dublado:

Todas as fotos usadas nesse post estão sob licença do site IMDb*

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O Rei do Show | Um filme mágico e inspirador

O Rei do Show | Um filme mágico e inspirador

Acho que janeiro tem sido um ótimo mês para o cinema. Ano passado comecei o ano assistindo La La Land e que filme, meus amigos, que filme! Agora, primeira semana de 2018 e eu já estava sentada no cinema assistindo O Rei do Show e ficando arrepiada com a sintonia incrível que eles criaram nesse longa. Um presente para aqueles meros mortais que sonham acordado. A história é magia pura para os corações sonhadores!

“Um milhão de sonhos é tudo que preciso, um milhão de sonhos para o mundo que vamos fazer”

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Hugh Jackman como P.T. Barnum, o verdadeiro Rei do Show ❤ (Foto: Divulgação/IMDb)

Hugh Jackman é P.T. Barnum, o showman e empresário que revolucionou o entretenimento norte-americano em meados de 1835. O filme é inspirado em sua biografia e nos mostra como Barnum realmente foi incrível em sua época ao criar seu show de “fraudes” e provar o quanto nossos sonhos são possíveis.

Mas o filme não é apenas isso, são braços abertos dispostos a abraçar aqueles que são diferentes, uma inspiração sobre como podemos trabalhar nossas diferenças, aceitá-las, nos orgulharmos delas. É meio triste como as pessoas, na maioria das vezes, reagem a tudo que é novo, fora do tradicional e O Rei do Show também trabalha esse lado, mostrando como devemos ser fortes perante os julgamentos daqueles que não estão dispostos a aceitar as diferenças que existe entre cada ser humano. É uma linda lição sobre preconceito e como devemos deixá-lo de lado.

“Porque tudo o que você quer está bem na sua frente… E você vê o impossível se tornando realidade”

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Que figurino, que caracterização, que coreografia, que show! ❤ (Foto: Divulgação/IMDb)

Foi uma nostalgia maravilhosa poder ouvir Zac Efron cantando outra vez. Me desculpem, mas sou fã de High School Musical, então imaginem minha alegria! A química entre seu personagem, Phillip Carlyle, e Anna Wheeler, interpretada por Zenday, não foi bem o destaque, já que o encanto maior estava quando ele aparecia ao lado de Hugh Jackman. Todo o elenco estava em sintonia e mesmo que os arcos não tenham sidos tão aprofundados, cada um esteve em seu melhor momento durante o longa. A única coisa que ficou um pouco amena foi o romance e drama da história, tive a sensação de que ele não foi tão bem explorado, é como se alguma pequena coisa tivesse ficado pelo meio do caminho.

Tirando isso e entrando nos termos que todo pseudo-crítico e crítico adora elogiar (desculpem, meus amigos, mas não estou mentindo e vocês sabem disso), a fotografia é perfeita! O encaixe da trilha sonora com as coreografias ficou incrível e que trilha sonora, de verdade, eu ficava arrepiada a cada música! This is Me está concorrendo a canção original em diversas premiações e eu estou na torcida, é merecido demais. Benj Pasek e Justin Paul são os responsáveis e adivinhem? Foram eles que também criaram a trilha sonora de La La Land.

“Eu sei que há um lugar para nós pois somos gloriosos”

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Zac Efron e Hugh Jackman, que dupla, que sintonia, eu fiquei ainda mais apaixonada! (Foto: Divulgação/IMDb)

Estamos em tempos difíceis, acho que sempre estaremos passando por alguma dificuldade. Não sei dizer se hoje as pessoas, felizmente, têm mais coragem para falar sobre seus problemas e por isso a falta de empatia que temos com o próximo acaba ficando cada vez mais nítida. Casos e casos de preconceito e discriminação são expostos na mídia ou até mesmo entre amigos. É exaustivo. Mas é importante que falemos sobre isso, que filmes mostrem e cheguem até as pessoas com esse tipo de assunto para que melhoremos.

Durante os espetáculos no circo criado por Barnum e quando as pessoas passaram a saber da existência dele somos expostos a real lição que a trama quer nos passar: a aceitação das diferenças, o não ao preconceito. O Rei do Show, e principalmente a canção principal This is Me, se tornaram o hino de 2018 para nos aceitarmos e abraçarmos o próximo com maior empatia, sem tantos julgamentos, pois precisamos de mais amor e menos preconceito nesse mundo cada vez mais repleto de diferenças. Ah, e sabe os sonhos? Aqui, nessa história, enchemos nossos corações com eles.

Assista ao trailer:

Até a data desse post o filme encontra-se em cartaz nos cinemas… Corre!

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Trolls | Uma metáfora sobre a felicidade que vivemos buscando

Trolls | Uma metáfora sobre a felicidade que vivemos buscando

Eu sou suspeita para falar de animações, sou apaixonada e sempre acabo me emocionando com seja lá qual for a metáfora que eles trabalharam na trama. Claro que as crianças não vão entender do mesmo jeito que nós, macacos velhos. Digo, são simples desenhos… Para a maioria que assiste.

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Foto: Divulgação/IMDb

Você acha que vai ver uma animação clichê e se depara com um filme bem estruturado, com uma história bem feita, uma ótima trilha sonora e emoção, muita emoção! Trolls são conhecidos por serem Duendes da Sorte, existe uma lenda de que você só conseguirá ser feliz se comer um deles. O que a gente pode muito bem trazer para nossa realidade, afinal, sempre existe alguma coisa que precisamos ter para alcançarmos a felicidade.

Em cada pessoa, na maioria das vezes, existe algo faltando para que a mesma seja completamente feliz. Vivemos buscando um ideal de felicidade que parece nunca chegar. E esquecemos de olhar para nós mesmos, esquecemos de dar importância para as coisas simples que deveriam sim fazer toda diferença.

Poppy é a princesa do reino dos Trolls e precisa salvar seu povo. Ela sai em uma aventura ao lado de Branch, que é totalmente o oposto da maioria dos Trolls. Branch sofreu uma perda e isso mudou completamente a maneira como ele enxerga o mundo.  É um filme que tem a medida certa de humor, amor, amizade e como não devemos abandonar o próximo. Ah, e de cores, muitas cores, o que deixa tudo bem mais lindo de assistir.

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Poppy e Branch, que são dublados por Anna Kendrick e Justin Timberlake (Foto: Divulgação/IMDb)

O contraste entre Poppy e Branch lembra muito como existem as pessoas de fé inabaláveis no mesmo mundo onde estão as pessoas depressivas que não conseguem se quer enxergar uma luz no fim do túnel. Estamos todos aqui, vivendo um dia de cada vez, esperando por seja lá qual for a sentença final. Mas com ajuda, com alguém próximo, podemos ir bem mais longe do que imaginamos.

A produção musical é por conta do Justin Timberlake, que também participa da dublagem do filme junto com Anna Kendrick, Gwen Stefani, Zooey Deschanel, Russel Brand e James Corden. O filme foi lançado outubro do ano passado e está disponível no Telecine Play. A trilha sonora é maravilhosa e para provar que estou certa segue o link do player do Spotify para vocês ouvirem:

https://open.spotify.com/embed/album/65ayND23IInUPHJKsaAqe7

Assista ao trailer:

Na Natureza Selvagem | O filme que continua atual mesmo 10 anos depois

Na Natureza Selvagem | O filme que continua atual mesmo 10 anos depois

São 10 anos desde que Na Natureza Selvagem fora lançado, para ser mais exata a data de lançamento mundial foi em 21 de setembro de 2007. Como um filme pode continuar tão atual? Com tantas coisas a nos ensinar sobre a vida? Não que todos iremos nos jogar como andarilhos no mundo, mas é incrível como o longa ainda é capaz de nos ajudar a enxergar nosso caminho de maneira diferente.

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Alex viajava com o mínimo de dinheiro possível, seu principal meio para chegar nos destinos era pedindo carona (Foto: Divulgação/IMDb)

Não são as coisas, são os momentos que vivemos. E de nada adianta esses momentos se não tivermos com quem compartilhar, afinal, “felicidade só é real quando compartilhada“. Christopher McCandless terminou a faculdade, mas não está entusiasmado com a vida que seus pais esperam que ele tenha. Após uma infância marcada por problemas domésticos, como brigas, traição, separação, o jovem decidi largar tudo e partir para uma viagem em busca de si mesmo.

É sempre perturbador essa questão de “nós mesmos” que cada um carrega consigo. Não nos conhecermos o suficiente, não sabermos exatamente onde nos encaixamos, o que queremos, o que somos. Almejar uma espécie de plenitude e felicidade que não fazemos a mínima ideia do que seja, onde esteja. Muitos ao nosso redor querem nos dizer o que podemos fazer, mas quantos deles realmente sabem o que estão dizendo?

Chris queima os documentos, doa as finanças que ainda tinha no banco e se dá um novo nome: Alex Supertramp. O sobrenome na tradução significa super andarilho, que é exatamente o que ele decide ser. Com uma mochila nas costas, Alex (eu achei bem melhor que o nome verdadeiro) sai sem rumo pelos Estados Unidos, passa por Los Angeles, Califórnia, Dakota do Sul, Arizona e decide traçar um objetivo nessa sua viagem (ou seria busca?) acrescentando o Alasca como principal destino.

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Emile Hirsch interpreta Alex Supertramp (Foto: Divulgação/IMDb)

A fotografia do filme é incrível, de verdade. É um presente para aqueles que sonham em se aventurar no mundo. Eu sempre digo que admiro demais a coragem dessas pessoas livres que partem em aventuras e conseguem superar o medo, deixar todo o luxo e conforto para trás. Afinal, não é uma atitude fácil de se tomar, vocês sabem. Mas acredito que seja de uma recompensa muito valiosa conseguir abandonar esses valores que muitos de nós somos acostumados.

É linda a maneira como Alex acaba mudando as pessoas que conhece pelo caminho e como elas também conseguem lhe acrescentar algo. É a prova de que cada pessoa entra na nossa vida com um propósito, que cada um que conhecemos consegue representar uma mudança em nós mesmos, por mais simples e pequena que ela seja.

 

Animais Noturnos | Quando uma história é bem mais que uma história

Animais Noturnos | Quando uma história é bem mais que uma história

A vida é corrida e nem sempre conseguimos assistir aos filmes logo quando são lançados. Tenho aquele certo medo de não ter visto tudo que queria e só um verdadeiro amante de cinema irá me entender. Animais Noturnos é um desses filmes. Recém chegado no catálogo do Telecine Play, o longa tem cerca de 1h54min e é dirigido por Tom Ford, mesmo diretor de Direito de Amar. Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Aaron Taylor-Johnson e Michael Shannon (V) somam um elenco que surpreende nas atuações.

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Jake Gyllenhaal é Edward e Tony (Foto: Divulgação/IMDb)

Uma daquelas histórias que você vai assistindo e quando o gatilho finalmente é puxado, te faz compreender toda a trama e encaixar peça por peça. A sensação que geralmente surge é aquela inveja de leve por terem pensado em algo com tamanha singularidade. Sempre existirão essas histórias, aquelas que não estamos acostumados a assistir por aí e que não será vista da mesma maneira por todos que assistem.

É um filme de livre interpretação que deixa o espectador pensando nele e no rumo que o diretor teria dado se tivesse uma sequência. É complicado, eu sei, nem todo mundo gosta desse tipo de coisa, quando começamos algo, queremos terminar. A maioria sente-se confortável com ponto finais, são as reticências que incomodam.

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Amy Adams é Susan (Foto: Divulgação/IMDb)

Susan (Amy Adams) é uma mulher casada e insatisfeita com a própria vida que aparentemente é perfeita. Uma negociante de arte que se acha uma fraude, como se o que ela reunisse para mostrar as pessoas em suas galerias não fosse realmente o que quisesse mostrar. Um sentimento que facilmente conseguimos identificar cada um em si próprio, já que é sempre muito difícil revelarmos-nos inteiramente a sociedade, sempre existirão algumas cortinas fechadas.

Edward (Jake Gyllenhaal) é ex-marido de Susan. O homem ideal que não possui a ambição perfeita para uma condição de vida a longo prazo. Se é que me entendem. Seu maior objetivo é escrever um livro, mas esse também acaba sendo seu maior empecilho. Quantas e quantas vezes empacamos em nossas vidas tentando algo que incansavelmente é desvalorizado pelas pessoas e por nós mesmos?

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Aaron Taylor-Johnson é Ray (Foto: Divulgação/IMDb)

Susan recebe um manuscrito de Edward e quando começa a leitura embarca em uma viagem ao passado, onde conheceu e conviveu com o ex-marido. Jake Gyllenhaal também interpreta Tony, personagem fictício de seu próprio manuscrito, um homem que perdeu a esposa e a filha de maneira brutal.

A cinegrafia desse filme é um presente para quem gosta e assiste. Ford é muito bom e seus únicos dois filmes lançados são impecáveis nesse quesito. O elenco inteiro está entregue em seus personagens, mas, para mim, é Aaron Taylor quem rouba a cena, interpretando o insano Ray. Conhecia o ator apenas de sua participação como Mercúrio no filme dos Vingadores e fiquei surpresa em descobrir seu talento, por mais doentio que tenha sido acompanhar seu personagem.

As histórias são distintas, mas é preciso atenção para que aos poucos você consiga montar o quebra-cabeça que Tom Ford monta cena após cena. Um manuscrito que acaba sendo bem mais que um simples manuscrito e quando o gatilho finalmente é puxado você visualiza as peças encaixando e tomando seus devidos lugares.

Assista ao trailer:

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Resenha | It – A Coisa te fará flutuar também

Resenha | It – A Coisa te fará flutuar também

É Halloween, minha gente! E apesar de não ser tão comemorado aqui no Brasil, o dia pede um post especial. It – A Coisa ganhou uma nova adaptação para os cinemas. O filme em seu primeiro final de semana de estréia (07/09) já bateu recorde e entrou para a história como o filme de terror mais assistido nos cinemas em tão pouco tempo. Não é para qualquer palhaço fazer graça não!

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Me diz quem que ia querer um balão desse Pennywise? (Foto: IMDb)

Dirigido por Andy Muschietti, que também fora diretor em Mama e com um elenco mirim incrível, as duas horas que se seguem entregam uma trama que assusta e ao mesmo tempo encanta. Passados 27 anos depois da grandiosa adaptação da obra de Stephen King, tempo exato em que as tragédias levam para acontecer na história, posso assegurar que estamos diante daquele “vale a pena filmar de novo”. It – A Coisa é exatamente o que os fãs esperavam que fosse: um sucesso.

Dessa vez é Bill Skarsgård quem interpreta Pennywise, o palhaço que aterroriza a pacata cidade de Derry. Após o sumiço do pequeno Georgie (Jackson Robert Scott), jovens e crianças começam a desaparecer com mais frequência. Bill (Jaeden Lieberher) é o irmão mais velho de Georgie e não aceita o sumiço do caçula, convencendo seus amigos a irem atrás de uma resposta e consequentemente do causador de todos os desaparecimentos.

Pennywise é um palhaço demoníaco, uma entidade que se alimenta e fica mais forte com o medo. E todos nós temos medos, por mais que mostremos o contrário. Alguns conseguem disfarçar, outros já se abalam mais facilmente e no filme vemos cada um dos pequenos corajosos enfrentar seus fantasmas.

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VAI QUEBRANDO, SENHOR, VAI QUEBRANDO TODA MALDIÇÃO E FEITIÇARIA! (Foto: IMDb)

Além dos medos, temos abusos e bullyings que são abordados na trama, mas não se engane, tudo é tão bem conectado que não fica cansativo em momento algum. Nos assustamos e rimos na mesma intensidade que sentimos o pesar e a repulsa em atitudes grotescas contra os personagens principais.

O elenco mirim, como eu disse, é incrível. Essa nova onda de atores está maravilhosa. Sou apaixonada por Stranger Things e suspeita para falar do Finn Wolfhard, mas o ator interpretou o tagarela do Ricchie e mandou bem demais! E não só ele! Jack Grazer que faz o Eddie também estava demais! Sem falar na linda Sophia Lilis que interpretou a Beverly. E o que foi aquele Jaeden na clássica cena em que seu personagem, Bill, encontra o irmão no porão de casa? Nem vamos falar nesse irmão, o Georgie, porque também fiquei apaixonada pelo pequeno Jackson.

Claro que não dá para não mencionar o Bill Skarsgård, responsável por dar vida ao Pennywise. Ele esteve sensacional e entregou um vilão digno do rei do terror, Stephen King. Perdoa a ênfase nesse elenco e não desiste de mim, é que todos são tão talentosos e tiveram uma sintonia incrível ao trabalharem em seus personagens. A atuação de cada um ficou impecável.

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O Clube dos Perdedores e o elenco que vai te deixar apaixonado (Foto: IMDb)

Caso não saibam, a história original é contada em duas partes, com duas linhas de tempo e It terá uma continuação. Pode comemorar, ou não, depende do seu entusiasmo para encontrar Pennywise novamente nos cinemas. As filmagens da sequência devem começar apenas em 2018, sem data prevista para lançamento, mas podemos aguardar que o Clube dos Perdedores voltará a Derry para proteger a cidade, 27 anos depois, com a volta de acontecimentos macabros.

Assista ao trailer do filme:

 

>> Esse post faz parte do Club Pop. Para ler mais acesse Geração Touch.

*Todas as fotos estão sob licença do site IMDb

MINDHUNTER | David Fincher realmente sabe o que faz

MINDHUNTER | David Fincher realmente sabe o que faz

Se você não conhece o homem, talvez conheça suas obras. David Fincher é responsável por grandes adaptações para o cinema como Clube da Luta e Garota Exemplar, além de ter sido um dos primeiros produtores em House of Cards, primeira série original Netflix. E olha que não citei todos os trabalhos do diretor, porque tem muito mais e que você certamente também deve conhecer. O cara sabe o que faz e Mindhunter é mais uma prova disso.

A história é narrada no final dos anos 70 quando a psicologia criminal começou a ganhar estudos e termos no FBI. Foi quando surgiu o termo serial killer, usado para o assassino que comete crimes sequencialmente. É curioso acompanhar como tudo foi tomando forma e meio cruel ver como a maldade sempre esteve presente na nossa história.

“O que as pessoas não fazem umas às outras. Não há nada que não façam.”

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Holden Ford (Jonathan Groff) em uma de suas entrevistas (Foto: Divulgação/IMDb)

Jonathan Groff é o agente Holden Ford, ele enxerga a necessidade de ir além em casos que fogem do comum, onde tirar a vida de uma pessoa parece não ser o suficiente para o assassino. É uma trama pesada, ainda mais quando sabemos que alguns dos crimes ocorridos são reais e que pessoas realmente vivenciaram aquilo. Sem falar na tranquilidade calculada em cada diálogo que parece te arrastar para o fundo do poço junto com o personagem. Um nervosismo que senti crescer dentro de mim cada vez que os assassinos falavam de maneira tão fria e calma sobre acontecimentos tão macabros.

A série é inspirada no livro que reúne relatos do ex-agente John Douglas, ele fez o que ninguém pensou e queria fazer, foi ele que na época conversou com os criminosos. São homicídios que, por mais que já tenham passado anos, continuam difíceis de digerir. Se buscar uma resposta lógica para determinados acontecimentos hoje em dia já é um absurdo, imagine isso em 1979. David Fincher consegue passar esse julgamento, é capaz que você mesmo se veja julgando durante os episódios.

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O trio capaz de estudar e analisar as mentes assassinas e cruéis (Foto: Divulgação/IMDb)

Mas Ford não está sozinho nessa história. O agente trabalha junto com seu parceiro Bill Tench (Holt McCallany) e ambos acabam ganhando uma nova ajuda nas pesquisas, a professora Wendy Miller (Anna Torv). Cada personagem nessa série merece ser estudado meticulosamente, mas é em Ford que está todo o foco, afinal, ele é o grande cérebro por trás das entrevistas com os criminosos.

A atuação de Groff ao interpretar o agente Ford é impecável. Você entra na montanha-russa junto com o personagem e acaba sentindo um misto de sentimentos por ele, em certos momentos me senti enojada com tamanho fascínio que ele demonstrava pelas mentes assassinas que estudava, mas ao mesmo tempo foi muito difícil não acabar encantada com suas habilidades em conseguir o que queria.

“Como antecipamos os loucos, se não sabemos como os loucos pensam?

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Foto: Divulgação/IMDb

Na verdade, todo elenco te envolve, a química entre eles é maravilhosa. Desde os mocinhos aos grandes vilões. A semelhança entre alguns dos assassinos reais com os atores escolhidos é de assustar. Me vi entrando nos diálogos e querendo desvendar com os agentes os verdadeiros motivos que levaram as tamanhas crueldades.

A primeira temporada possui 10 episódios e apesar de ter achado a trama um pouco lenta no início, já tinha sido fisgada, só não queria admitir. Eu lembro de ter feito uma resenha sobre Making a Murderer, outra série original Netflix, e de ter mencionado o fato de que não são cenas sanguinárias que encontramos na série, apesar de todos os crimes horríveis que elas abordam, mas sim cenas de um horror mais psicológico, aquele que acontece quando temos casos reais de fundo na história.

É claro que algumas pessoas estão assistindo ao seriado e não encontrando toda a genialidade que tanto estão falando, impossível agradar a todos, sempre falo isso. Mas, por favor, vale demais dedicar pelo menos duas horinhas do seu dia, apenas dois episódios para conferir de perto se essa trama realmente não te deixará interessado, ao menos, instigado para descobrir o desenrolar fascinante que essa série tem.

Assista ao trailer:

Dica Netflix: Um olhar do paraíso, de Peter Jackson

Dica Netflix: Um olhar do paraíso, de Peter Jackson

Confesso que não li nada a respeito do filme, apenas o título e a sinopse, para mim, seria a história de uma garota que morreu e foi para o paraíso. Pois é, eu sei, como fui ignorante em formar essa ideia tão clichê.

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Susie Salmon (Foto: Divulgação/IMDb)

Um Olhar do Paraíso é um outro lado do diretor Peter Jackson, premiado e conhecido pela sua adaptação na obra de J. R. R. Tolkien, Senhor dos Anéis. Gostaria de começar elogiando a fotografia, permanece impecável, nível Jackson mesmo, o cenário criado para o “paraíso e inferno” da personagem ficou perfeito, difícil descrever a beleza que encontramos nas cenas.

Mas esse não é apenas um filme lindo com uma fotografia impecável. É uma história triste com momentos agoniantes. Susie Salmon (Saoirse Ronan) foi brutalmente assassinada em dezembro de 1973. Sua alma não conseguiu deixar de fato o plano terrestre. Seu assassino continua impune. Sua família tenta dia após dia lidar com a falta e a horrível interrogação do que realmente aconteceu com a adolescente que tinha apenas 14 anos de idade.

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Não conhecia o lado vilanesco do ator Stanley Tucci. Ele representou o assassino de Susie. (Foto: Divulgação/IMDb)

Eu não sou muito religiosa e esse também não é um filme sobre religião. É sobre espiritualidade. Acredito que o peso será maior para aqueles que compreendem melhor e sentem de maneira mais livre toda a espiritualidade que existe nessa vida.

Todos nós já nos perguntamos alguma vez o que acontece… O que vem a seguir, para onde vamos, o que fazemos, como ficamos… O que realmente acontece quando deixamos esse mundo. Isso se realmente deixamos. Existem crenças diferentes, visões diferentes e opiniões diferentes sobre esse assunto. Não estou dizendo que o filme vai entregar todas as respostas, nem que a proposta seja fiel ao que realmente acontece quando perdemos a vida. Mas é uma incrível história para conhecermos e pensarmos mais sobre tudo isso.

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Um Olha do Paraíso foi lançado em 2009, mas passa uma mensagem que se mantém essencial até hoje. (Foto: Divulgação/IMDb)

Algo tão triste acontece e a agonia aumenta quando nos perguntamos quantas e quantas Susie não existem por aí. Quantos pais não precisam lidar com a perda de um filho. Quantas famílias não passam por drásticas mudanças devido a morte. A vingança, a impunidade, a incompreensão diante de questões que nem sempre chegam a ser respondidas.

Abordam o adeus de maneira tão sincera, mostrando que o tempo dele é diferente para cada um de nós. E por mais perturbador que sejam os momentos de Susie em busca de uma saída e justiça, a calma que encontramos em sua despedida deste plano é bem sútil. O filme transforma um momento agoniante em uma mensagem cheia de significado para quem assiste. É realmente muito lindo como todas as peças acabam se encaixando.

Assista ao trailer:

*Falha minha: perdoem o trailer não estar em HD

Até a data desse post o filme estava disponível na Netflix. 

*Todas as fotos usadas estão sob licença do site IMDb

Sem Spoiler | O desconforto ao assistir Mother!

Sem Spoiler | O desconforto ao assistir Mother!

Mother! (no Brasil, Mãe!) chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (21) e tem sido muito elogiado pela crítica. Você entra no cinema com certo receio, os primeiros minutos passam e você não é capaz de adivinhar, nem de perto, a avalanche que está para vir.

critica Mother
Jennifer Lawrence tem seu melhor trabalho até agora, Mother! é sua melhor atuação, sem dúvidas (Foto: Divulgação/IMDb)

Já assisti bastante coisa, tanto em filmes quanto em séries, mas o desconforto que senti ao assistir Mother! foi incomparável. Me senti presa na sala de cinema. Eu queria dar uma pausa, existe controle remoto para projetor? Onde ele fica? Uma hora e cinquenta e cinco minutos e você sente o sufoco aumentar cada vez mais.

Não, não são todos que irão sentir o filme da mesma maneira. É preciso um certo feeling para entrar na trama e sentir tudo que a Mother sente. Ela nem mesmo tem um nome. Não é preciso. Darren Aronofsky fez um trabalho de direção esplêndido, o filme em sua maior parte rodado em câmera subjetiva faz com que o telespectador fique mais preso ainda em sua história.

Jennifer Lawrence é Mother, uma, até então, decoradora que está ajudando o marido e reconstruindo todo o seu lar que antes havia sido queimado. Ele, o marido, é interpretado por Javier Bardem, mas não se enganem, o filme é dela e só dela. E, claro, das muitas críticas que temos que engolir goela abaixo no decorrer das cenas.

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Foto: Divulgação/IMDb

As pessoas estão falando muito a respeito do filme, mas não é possível chegar a toda essência de Mother!, de verdade, é impossível expressar em uma resenha ou crítica toda a complexidade que existe em cada diálogo desse roteiro tão bem conectado e escrito. É religião, é ideologia, é julgamento, é incoerência, é desrespeito, é impotência.

Saí da sala de cinema e não parava de pensar e discutir tudo que tinha acabado de digerir e ainda estava digerindo. Na verdade, estou até agora fazendo isso. As cenas causam tanto desconforto para quem as entende, que como disse, não é um filme que será sentido por todos. É preciso entrar na sala de cinema aberto a todas as críticas e horrores que ali serão expostos. Engraçado que algumas pessoas passaram mal assistindo Annabelle, eu quase passei mal assistindo Mother! e não foi por falta de terror, o terror que encontramos nesse filme é psicológico, é a realidade gritando na nossa cara todas as barbaridades que acontecem nos quatro cantos do mundo.

A falta de privacidade, o sempre compartilhar, a guerra e o perdão divino para as pobres almas que estão tendo que lidar com o luto, a ideologia de cada um que precisa ser aceita, a necessidade em julgar, a ilusão de posse e direito que muitos sentem diante das coisas e pessoas. A falta de voz que inúmeros, e não digo isso só as mulheres, têm diante de todo o poder que existe entre nós. A impotência que é como uma azia interminável que desconforta, mas não o suficiente para fazermos algo. O egoísmo, o recomeço do mais do mesmo que vive e revive dia após dia, século após século.

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Mother, Jennifer Lawrence e Ele, Javier Bardem (Foto: Divulgação/IMDb)

É revolucionário como um filme aborda tanta coisa ao mesmo tempo. São tempos difíceis, são noticiários horríveis e Mother! é uma história que deveríamos exibir para todos, convidar um por um para o famoso “senta aqui, vamos conversar, tem algumas coisas que você precisa enxergar fora da sua zona de conforto”. O abuso que existe hoje em dia e em diversos aspectos, estamos todos cada vez mais nos achando os donos de suas próprias razões.

Aronofsky não nos diz exatamente onde todos iremos parar com a situação continuando do jeito que está, mas ele nos mostra que não é novo esse ciclo que vivemos e que ele recomeça a cada fim que encontramos. Olha, falarei de novo, não são todos que irão sentir Mother!, mas se acaso você for um dos que conseguirá entender, vem cá, se acalma, estamos juntos, com o perdão da palavra, estamos fodidos psicologicamente, mas estamos juntos. O mundo é um lugar horrível em certos aspectos, não é? Mas olha como os vídeos de cachorros fofos são lindos, as animações da Disney dão certa esperança na vida, em todo caso a comida é ótima também para aliviar a tensão.

Assista ao trailer:

Depois que assistir a esse filme, sinta-se a vontade para me chamar para conversarmos sobre. Afinal, esse é um daqueles casos que te deixam querendo discutir, falar, gritar, entender sobre tudo aquilo que acabou de ser digerido. A escritora de quinta encontra-se à disposição.

Atypical | O que é ser normal?

Atypical | O que é ser normal?

Sem Spoiler | Atypical é aquela nova série da Netflix que pouca gente deu bola, mas que não deveria passar despercebido

Atypical é mais uma produção original Netflix. Sim, meus amigos, a Netflix anda investindo pesado em conteúdo original. Não, nem sempre a queridinha do serviço de streaming acerta. Mas, por favor, me escutem (ou melhor, me leem) quando digo que Atypical é um daqueles maravilhosos acertos de produção, elenco, enredo, trilha…

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Sam e seu sorriso galante (Foto: Divulgação/IMDb)

A primeira temporada contém oito episódios que duram em torno de 30 minutos cada. Criada por Robia Rashid, mesma criadora de How I Met Your Mother, a série é uma mistura de drama com comédia que te deixará surpreso e encantado por ter feito essa bela descoberta ao apertar o play.

Sam (Keir Gilchrist) tem 18 anos e possui autismo altamente-funcional, o que significa que ele tem maior capacidade, funcionalidade, como o próprio termo diz, do que outros autistas. O jovem ainda está no ensino médio e decide que quer encontrar uma namorada. Vocês não imaginam como as coisas mudam, não só para ele, mas para a família toda, quando decide ir atrás de uma garota para chamar de sua.

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A família de Sam (Foto: Divulgação/IMDb)

“Eu não sei mais quem eu sou. Não sei quem precisa de mim. Certamente não o Sam. Eu não sei o que quero. Eu não sei o que virá depois. Ou o que esperar. Porque tudo está mudando. E eu não sou tão boa sem minha rotina”, Elsa Gardner, mãe do Sam.

Mas não se enganem, Atypical é um pouco além do que a história de um garoto autista que decide namorar. A trama mostra o ponto familiar da situação. Sam vive com seus pais, Elsa (Jennifer Jason Leigh) e Doug (Michael Rapaport), e com sua irmã mais nova, Casey (Brigette Lundy-Paine). Sua mãe, Elsa, sente-se cada vez mais perdida ao encontrar um Sam cada vez mais independente. Doug, o pai, apesar de ter vivido afastado do filho, parece estar se aproximando do garoto que ele nunca soube conviver direito. Já a caçula, Casey, precisa decidir se seguirá com a própria vida ou se continuará por perto para proteger o irmão.

Imagino que esse deve ser o instinto natural da família, proteger e estar presente tanto a ponto de largar a própria vida. Não imagino como seja, não tenho autonomia para dizer se a ficção da série aproximou-se da realidade que acontece com inúmeras famílias, mas pelo que andei lendo a respeito, as pessoas estão felizes com a representatividade. É a primeira série focada em mostrar os diversos lados do autismo.

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(Foto: Divulgação/IMDb)

“Quem disse que a prática leva à perfeição era um idiota. Humanos não podem ser perfeitos, pois não somos máquinas. Infelizmente, o melhor que se pode dizer sobre a prática é que ela leva a melhorias”, Sam.

O preconceito, os olhares alheios e até mesmo as pessoas que acusam a mãe do Sam de se fazer de vítima, acreditem, isso acontece. A trama aborda a questão da normalidade. Ninguém é normal, se formos parar e pensar no assunto. Você é normal? Sua família é normal? As pessoas ao seu redor são normais? Afinal de contas, o que é ser normal? O que alcança a normalidade para mim, pode passar bem longe dela para você. Minha família pode parecer normal aos meus olhos, para olhos desconhecidos ela pode conter sérios problemas.

Encarar a rotina de Sam e seus pensamentos é um toque de sensibilidade que precisamos ter diante do assunto. Saber enxergar a anormalidade que é diferente da nossa compreendendo que o normal não existe (ou se existe, é complexo demais para tratarmos como uma simples questão de preto ou branco, sim ou não). Sam é apaixonado pela natureza, especialmente por pinguins e pela Antártica. É uma grata surpresa conhecer mais sobre essa sua paixão.

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Sam e ao lado seu amigo Zahid (Nik Dodani) que acaba sendo seu tutor nas aulas de conquista (Foto: Divulgação/IMDb)

Os conflitos que cada membro da família precisa lidar, só deixa claro o quanto somos todos meios problemáticos. Ninguém é perfeito. E Atypical entrega que cada um de nós carrega um defeito ou uma personalidade que nem sempre permanecerá intacta. Eu assisti a primeira temporada em dois dias. A Netflix já anunciou que a segunda temporada está confirmada. No meio de tanto conteúdo, é bom demais quando nos surpreendemos de maneira positiva com algo.

Assista ao trailer: