A essência humana pelo olhar da Mulher-Maravilha

A essência humana pelo olhar da Mulher-Maravilha

Todo mundo está falando do primeiro filme de super-herói dirigido por uma mulher! E não, eu não entrarei em termos feministas ou anti-feministas, não vou explicar se teve ou não feminismo no filme, se ele é apenas mais um filme de herói. Nem vou entrar na discussão de representatividade, acredito que estejam tentando criar uma situação completamente desnecessária. É um filme. É uma heroína. É lindo. É significativo. E ficar discutindo isso não diminuirá o enorme sucesso que Mulher-Maravilha vem fazendo no cinema.

Vejo as pessoas debatendo o que teve e o que não teve, que essa geração não sei das quantas, que a doença do século é não sei o quê e fico completamente embasbacada com a falta de apreciação das coisas, sabe? Se você não gostou do filme: vida que segue. Se você não vai assistir ao filme: parabéns, vamos ao próximo. Se você gostou do filme: que ótimo, eu também! Chega de inflamar a internet com essa raiva toda sem sentido, não é mesmo? Então vamos prosseguir com o post, por favor, obrigada.

wonder_woman_gal_gadot_wide-1068x668
Foto: Divulgação/PrimeiroTake

Após a nossa heroína receber um presente do nosso amigo Bruce (sim, ele mesmo) somos arrastados para o passado e encontramos uma pequena princesa na ilha das Amazonas em Themyscira. Se você não faz ideia do que estou falando, se acalme. Não tem importância não acompanhar nenhuma HQ, não fazer ideia da historia da Mulher-Maravilha, porque o filme é justamente isso, uma introdução maravilhosa de como surgiu e de onde veio Diana Prince.

Treinada e fascinada pelas lutas desde pequena, fica cada vez mais difícil esconder de Diana quem ela realmente é. Robin Writgh, conhecida por viver Claire Underwood em House of Cards, faz o papel da general Antíope. Connie Nielsan (Gladiador) vive a rainha Hipólita, mãe de Diana que, por sua vez, é interpretada por Gal Gadot. Não poderíamos esperar menos de um time tão poderoso como esse. E apenas registrando aqui que eu ficaria imensamente feliz com um filme aprofundando mais ainda a história das amazonas, essa espécie de mulheres guerreiras criadas pelos deuses do Olimpo, Antíope parece ser uma personagem e tanto.

No filme do Batman vs. Superman Diana salva a trama e aparece triunfante no que deveria ser apenas uma participação especial. Já em seu próprio longa nós a encontramos no início de tudo e entendemos o porquê dessa linda lutar protegendo nós, meros humanos.

wonder-trevor
Foto: Divulgação/OVicio

Inocentemente somos questionados pela própria heroína durante seus diálogos com Steve Trevor, o piloto e espião britânico que sem querer vai parar na ilha. Steve é interpretado por Chris Pine e o cenário em que ambos se encontram é a primeira Guerra Mundial. Sim, o desastre que desolou o mundo durante anos com Hitler comandando os alemães e milhares e milhares de inocentes perdendo suas vidas, casas, famílias.

O horror da Mulher-Maravilha ao saber que crianças e mulheres estavam sendo assassinadas, que homens inocentes deixavam seus lares para tentar pôr fim a guerra, a ingenuidade em acreditar que tudo aquilo era causado por Ares, deus da guerra, nos faz pensar no quanto realmente somos cruéis.

Temos as duas essências, os dois lados, o bom e o ruim mora dentro do coração de cada ser humano e cabe a ele escolher qual lado irá seguir, qual razão falará mais alto. É nobre e lindo ver que Diana reconhece isso na raça humana, que mesmo tendo tanta crueldade causada pelas escolhas dos homens, ela ainda decidiu lutar por eles, lutar por nós.

Isso reflete um pouco como temos que lidar com o noticiário nos dias de hoje. Lendo tanta notícia desastrosa, vendo as absurdas atitudes tomadas pelo homem, se deparando com tanta incredulidade, que fica cada vez mais difícil acreditar no bem, acreditar que no mundo ainda existam seres humanos pelo qual a nossa heroína decidiu lutar e proteger. Cabe a nós escolhermos o certo e acreditarmos nele, fazermos por ele, sem esperar que Diana Prince apareça para salvar o dia e nos lembre de que sempre precisaremos lutar para que todo o mal existente no mundo seja pequeno comparado com todo o bem que possamos fazer, tendo super poderes ou não.